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     21/10/2014            
 
 
    

Fui reeleito presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja em um momento que o nosso país passa por discussões importantes como Código Florestal, trabalho análogo ao escravo, ampliação de reservas indígenas, entre outros. É um desafio para qualquer pessoa representar um segmento que se encontra, como outros, marginalizado pela sua falta de comunicação.

A sociedade brasileira tem se distanciado do setor produtivo, não sabe mais o caminho percorrido até os alimentos chegarem à prateleira do supermercado. Por outro lado, produtores totalmente focados em melhor produzir buscando aumentar sua competitividade se esqueceram de comunicar entre si, mesmo na sua cidade e imaginem nos grandes centros. Com isto, colhemos frutos plantados por algumas ONG’s com interesses bastante escusos.

Mas não adianta ficar reclamando dessas ONGs, pois elas estão defendendo o ‘ganha pão’. Tudo tem um interesse econômico e, afinal, se dissessem a verdade dificilmente receberiam tanta doação. É muito mais fácil dizer que tudo está errado e eles são os salvadores da pátria.

Sendo assim, como disse na posse no último dia 22 de maio, em que tive a alegria de contar com a presença de mais de cinquenta parlamentares, entre deputados federais e senadores, o maior desafio do produtor de soja é a comunicação. Somos altamente sustentáveis, posso afirmar que a soja brasileira é a mais sustentável do mundo, mas por que à sociedade parece ser a pior?

A maioria dos produtores de soja é um exemplo para o resto do mundo. Temos Área de Preservação Permanente (APP) preservada ou recuperada; temos reserva legal; fazemos plantio direto; somos os mais eficientes do mundo em uso de fertilizantes e agroquímicos; somos os que melhor remuneram seus colaboradores e somos os que mais distribuímos renda.
Aí fica a pergunta: o que temos feito de errado? Por que perante a sociedade ser produtor neste país, a meu ver, parece ser pior que bandido? É estranho pensar que uma atividade tão nobre quanto a agricultura – responsável pela produção de alimento, pelo qual inclusive o mundo já realizou tantas guerras em sua busca - hoje possa ser tão desprezada pela sociedade.

Colocamos toda nossa vida em uma simples semente, mas que com ela vai tanta paixão e torcida para que nasça vigorosa. Torcemos e sofremos o tempo todo para que o clima seja bom conosco, e somos abençoados quando chega a colheita e tudo deu certo. Daí esse grão de ouro, que é a soja, se multiplica, como a multiplicação dos pães, é algo divino, e a riqueza deste grão se distribui pelo Brasil.

Agora, como transmitir à sociedade o que é a agricultura? Como vamos comunicar de forma correta e sincera nossas angústias e desafios? Como dizer que não queremos sair desmatando nada? Queremos usar bem o que já temos aberto, e é isso que o novo Código Florestal está regularizando, afinal mais de 60% do Brasil está preservado, mas por que parece que ao invés disso ele está perdoando um bando de bandidos? Deve ser porque não estamos sabendo nos comunicar ou não estão nos ouvindo.

Desde pequeno meu pai me ensinou que tudo na vida tem no mínimo duas versões e que devemos sempre ouvir as duas para fazer melhor juízo, o direito ao controverso, mas em diversos temas - como trabalhista, ambiental e indígena - estão ouvindo apenas um lado, como se ele fosse o certo.

O Brasil evoluiu e a sociedade também, porém, tem gente na cidade que joga lixo na rua e nem por isso todo cidadão urbano é bandido. O mesmo acontece com o setor produtivo: todos queremos o certo, queremos regras claras e que possam ser cumpridas, o que não queremos é ficar à mercê da interpretação subjetiva de um técnico, afinal é a nossa vida, nosso patrimônio. Queremos o que for certo, mas o certo para o Brasil, para a sociedade brasileira.

Nosso país está passando por grandes oportunidades no setor com uma demanda crescente por alimentos, temos área já aberta suficiente para dobrar a produção sem desmatar uma árvore, no entanto, ainda é preciso que isso chegue de forma clara à sociedade, este é o desafio. A Aprosoja atualmente é um dos melhores exemplos de organização dos produtores no Brasil, mas precisamos multiplicar esta representação, pois só assim seremos ouvidos.

A nova diretoria eleita achava que os desafios seriam os de sempre: logística, crédito, endividamento, etc., ou seja, gargalos eternos de toda atividade primária, mas sem dúvida o nosso desafio além buscar que todos os estados produtores de soja se organizem com as Aprosojas estaduais, temos que comunicar a sociedade a importância da agricultura para o ontem, o hoje e o futuro do nosso país, afinal quem está de barriga cheia bota gosto ruim até em filé mignon.

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