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Agricultura Orgânica      
Café orgânico de Santa Maria de Jetibá: qualidade com sustentabilidade
Admir Rossmann capixaba produz uma bebida de qualidade e agrega valor ao seu produto por meio do processamento do café
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Luciana Silvestre Girelli, Incaper
28/11/2016

Tomar um cafezinho é tudo de bom. Se for produzido de forma sustentável é melhor ainda! O café Romavary, do agricultor Admir Rossmann, de Santa Maria de Jetibá, ES, produzido de forma orgânica, é uma dessas delícias. Esse é um exemplo de que é possível fazer um produto de qualidade com sustentabilidade.

A história do café Romavary começou em 1986, quando o Admir Rossmann adquiriu uma propriedade na comunidade de São Sebastião do meio, em Santa Maria de Jetibá. “Eu trabalhava como meeiro em grandes lavouras de café, mas mexia com agrotóxicos. Quando comprei minha terra, quis mudar isso. Pensava em reduzir a utilização de produtos químicos até não utilizar mais nada”, lembrou Admir.

Ele disse que, na década de 1990, a partir de um projeto da Igreja Luterana do município sobre saúde dos agricultores, ele passou a ter conhecimento sobre soluções e alternativas de assistência técnica em agricultura orgânica. Em 2002, ele obteve a certificação do seu café.

Maior produtividade
Segundo Admir, na sua propriedade orgânica, colhe-se mais café por hectare do que quando ele trabalhava na modalidade convencional, o que significa que a produtividade agora é maior. Atualmente, ele produz 24,1 sacas por hectares, mas já chegou a produzir 39. Suas lavouras estão distribuídas em 2,4 hectares.

“É possível produzir mais café por hectare. Quanto mais bem nutrida a planta, menos doenças ela vai ter. No café orgânico, utilizamos compostos de esterco de galinha, pó de madeira, cinzas, etc. Essa forma de produção demanda mais mão de obra e tempo, mas o custo de produção é menor porque os compostos são mais baratos que insumos químicos”, falou Admir, que trabalha com o pai e esposa.

Café de qualidade e agroindústria

Admir Rossmann produz uma bebida de qualidade e agrega valor ao seu produto por meio do processamento do café. Ele comercializa café cereja descascado, em grãos e tradicional em diversos pontos dentro e fora do Estado. Também comercializa pela internet.

“Em 2006, começamos a fazer o processamento de café na propriedade. Foi quando criamos a marca Romavary. Tem a ver com os sobrenomes dos meus pais, Rossmann e Valker. Vinha muita gente procurar café orgânico e não tinha para comprar. Foi quando começamos a comercializar”, falou Rossmann.

Ele disse que nos anos de 2015 e 2016 houve um aumento de 16% nas vendas. “Devido ao aumento das feiras orgânicas na Grande Vitória, a procura pelo nosso café cresceu muito. Hoje vendemos em torno de 10% pela internet, principalmente para os Estados do Rio de Janeiro, Mato Grosso e para os da região Sul. Também tenho exportado em torno de 5% para os Estados Unidos, em Boston e Nova York”, contou.

Admir processa em torno de 150 sacas de café. Ele garante a qualidade também no processo de pós-colheita. “Costumo lavar no mesmo dia em que colho o café. Utilizo terreiro suspenso e aproveito as águas residuárias como adubo nas lavouras. Tudo isso proporciona um café de qualidade”, falou.

Conhecimento e capacitação
O senhor Rossmann construiu o conhecimento em produção orgânica de café ao longo dos anos por meio de troca de experiências, cursos e capacitações. Em 2003, ele participou da Feira da Bioflor, na Alemanha, a maior feira de orgânicos do mundo. “Lá tomei ciência, de fato, do que era um produto orgânico. Tive a dimensão dessa atividade como uma filosofia de vida”, disse Admir, que integra a Associação dos Produtores Santamarienses em Defesa da Vida (APSAD-VIDA). Ele também participou das quatro edições da Feira Nacional da Agricultura Familiar.

Qualidade de vida e perspectivas

Conforme Rossmann, a produção orgânica contribui para uma vida melhor para todos. “A ideia inicial era produzirmos para nós mesmos, para termos uma vida melhor, com mais saúde. Mas também encontramos pessoas que queriam consumir alimentos saudáveis. A produção orgânica demonstra nossa preocupação com a conservação da água e do ar que respiramos. Nossa propriedade tem 40% de mata. Mesmo com a seca, continuamos com água na propriedade”, contou Admir.

Para o engenheiro agrônomo que trabalha no escritório local de Santa Maria de Jetibá Jorge Antônio Silveira de Magalhães, a agricultura orgânica é preferível para o agricultor. “Essa forma de produzir dá resultados e trabalha com o princípio do equilíbrio na propriedade rural. O caminho mais indicado é a adoção de práticas que vão ao encontro da conservação do solo e dos recursos hídricos”, falou Jorge.

Assista aqui ao depoimento do produtor.

Serviço
Café Romavary - Sítio Rossmann
Admir Rossmann e Família - São Sebastião do Meio - Santa Maria de Jetibá – ES. CEP: 29.645-000.
Tel: (27) 99623-0620
E-mail: sitiorossmann@hotmail.com
Site: sitiorossmann.no.comunidades.net

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