dia de campo

a
Esqueceu a senha?
Quero me cadastrar
     25/02/2017            
 
 
    
Sustentabilidade      
Estudo analisa movimentos de massa e enchentes em cidades
Perdas de solos agricultáveis pode contribuir para assoreamento de rios, enchentes, deslizamento de encostas, soterramento de casas, fechamento de rodovias, ferrovias e outras vias de transportes
Comente esta notícia Envie a um amigo Aponte Erros Imprimir  
Cristina Tordin, Embrapa Meio Ambiente
21/12/2016

A erosão - processo de deslocamento de terra ou de rochas, tendo a chuva como principal agente, sobretudo nas regiões de clima tropical quente e úmido, predominantes no Brasil, pode causar grandes prejuízos econômicos, ambientais e sociais, tanto no meio rural quanto urbano. No primeiro caso, refere-se às perdas de solos agricultáveis, que ao serem arrastados, levam junto a camada superficial, rica em matéria orgânica e nutrientes, resultando em queda da produção agrícola, diminuição de ganhos econômicos além de eventuais riscos de contaminação de rios e mananciais. Nas cidades, pode contribuir para assoreamento de rios, enchentes, deslizamento de encostas, soterramento de casas, fechamento de rodovias, ferrovias e outras vias de transportes.

Os pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP Lauro Pereira e Marco Gomes realizaram um estudo sobre eventos ou catástrofes recorrentes no meio urbano, envolvendo os chamados movimentos de massa, também conhecidos por deslizamentos. Também fizeram uma análise das causas e consequências desses eventos para os cursos d’água e para as populações mais expostas, localizadas nos vales, áreas serranas, meias encostas e áreas de várzea.

Lauro explica que “quando se trata de deslizamento de encosta, enchente e erosão do solo em meio urbano, significa dizer que não se pode atribuir apenas a um fator causador. Na verdade, em geral os eventos de maior ou menor gravidade decorrem da ação ou reação combinada de vários fatores: naturais, antrópicos, de legislação e gestão pública, principalmente. Assim, enfatiza o pesquisador, a educação ambiental, com seu caráter de transversalidade, deve ser priorizada em todos os níveis, envolvendo os legisladores, gestores públicos e a população em geral.

De outro lado, é perceptível a crescente intensificação da ocupação urbana, o que tem dificultado a adoção de políticas públicas, combinando a organização social com o respeito ambiental. Em decorrência disso ocorre, muitas vezes, uma ocupação de forma desorganizada, sem a devida preocupação com a qualidade paisagística, segurança de moradia e bem-estar de seus habitantes.

“Considerando-se a abrangência dos danos ambientais, sociais e econômicos e seus respectivos transtornos no meio urbano, deve-se também priorizar ações de caráter preventivo”, diz Lauro.

Conforme Marco Gomes, o solo é um recurso natural básico, importante no equilíbrio ambiental e também nos diferentes setores empresariais e da vida humana, como produção de alimentos, moradia, recreação, construção civil, planejamento de uso e traçado de estradas, dentre outros. “Este recurso, quando usado ou manejado indevidamente, tem na erosão um dos principais vetores de degradação, destruição e prejuízos, inclusive com riscos à vida, principalmente animal e humana.

Os deslizamentos encontram-se associados tanto aos processos erosivos quanto aos movimentos de massa - deslocamento de rochas ou sedimentos em superfícies inclinadas, podendo estar relacionados à ação da gravidade (natural), ou ação antrópica. Já os processos erosivos estão associados a perdas de solos, principalmente, em áreas com inclinação variável.

Alguns dos fatores causadores são a inclinação/declividade acentuada do terreno, que impulsionam a água da chuva com forte potencial de arraste e destruição, a espessura do solo, além da baixa capacidade de absorver e armazenar água, que quando muito encharcados, pesados e lamacentos, se soltam das rochas e deslizam.

Outro fator preocupante é o desmatamento e ocupação de encostas, principalmente em áreas de solos rasos e declividades elevadas, como são comuns em regiões serranas de vários estados brasileiros, margens de rios e/ou encostas, consideradas áreas de preservação permanente (APP’s), frágeis construções de moradias, localizadas em áreas de declive acentuado e solos rasos.

Gomes explica que além da espessura, a elevada suscetibilidade do solo à erosão (erodibilidade), também é um fator que deve ser relacionado aos riscos ambientais. As chuvas, tanto em termos de intensidade, quanto de duração, podem ser importantes fatores desencadeantes nos deslizamentos de encostas, enchentes e solapamento (erosão) de áreas, tornando-as ainda mais vulneráveis às catástrofes urbanas.

Soma-se a isso a impermeabilização dos solos e a cobertura vegetal insuficiente, fatores relevantes que além de romper o ciclo natural, contribuem para a ampliação de riscos de catástrofes e insustentabilidade de moradia no meio urbano.

Como medidas de prevenção ou de mitigação, os pesquisadores sugerem o mapeamento das áreas frágeis, a partir de uma classificação de risco (muito alto, alto, médio, baixo, muito baixo), considerando-se, por exemplo: áreas habitadas e não habitadas; topos de morros, encostas, várzeas (APP’s); solos rasos ou nus, sem cobertura vegetal; revisão do plano diretor, com incrementos de monitoramento e estabelecimento de ações de curto, médio e longo prazos; estabelecimento de um plano de prevenção (previsão climática), combinado com um sistema de alerta; plano de contingência (preventivo, preditivo e reativo), com estratégias operacionais, a fim de se antecipar a problemas, avaliar ocorrências e controlar situações de emergências; reassentamento de famílias em áreas estáveis, dotadas de boa condição topo-pedológica, além de adequada infraestrutura de drenagem e galerias de águas pluviais; realizar o reflorestamento de áreas devastadas, sobretudo em áreas de encostas e solos rasos; e estabelecimento de rigor máximo nos licenciamentos, a fim de evitar novos impactos e danos ambientais, sociais e econômicos, e, sobretudo, preservar a vida humana.

Assim, enfatizam, deve ser reforçado o alerta para estes problemas urbanos recorrentes (erosão, deslizamentos e enchentes), com seus respectivos impactos, não só para identificar as causas e consequências, mas sobretudo para encontrar medidas que visem a prevenção e/ou minimização de inúmeros prejuízos econômicos, ambientais e sociais, inclusive com perdas de vidas.

Aviso Legal
Para fins comerciais e/ou profissionais, em sendo citados os devidos créditos de autoria do material e do Jornal Dia de Campo como fonte original, com remissão para o site do veículo: www.diadecampo.com.br, não há objeção à reprodução total ou parcial de nossos conteúdos em qualquer tipo de mídia. A não observância integral desses critérios, todavia, implica na violação de direitos autorais, conforme Lei Nº 9610, de 19 de fevereiro de 1998, incorrendo em danos morais aos autores.
Ainda não existem comentários para esta matéria.
Para comentar
esta matéria
clique aqui
sem comentários

Conteúdos Relacionados à: Notícia
Palavras-chave

 
06/03/2017
Expodireto Cotrijal 2017
Não-me-Toque - RS
06/04/2017
IV Encontro Nacional da Soja
Londrina - PR
18/04/2017
IV Congresso Brasileiro de Bioética e Bem-estar Animal
Porto Alegre - RS
01/05/2017
Agrishow 2017
Ribeirão Preto - SP
29/08/2017
11º Congresso Brasileiro do Algodão
Maceió - AL


 
 
Palavra-chave
Busca Avançada