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Sanidade animal    
RS: Políticas públicas contra o carrapato bovino e a TPB
É fundamental que os produtores busquem a associação do uso consciente de carrapaticidas a medidas não químicas
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Manuela Bergamim, Embrapa Pecuária Sul
13/11/2017

Várias discussões em torno do tema carrapato bovino vêm sendo feitas, ao longo dos últimos anos, no estado do Rio Grande do Sul. Em 2012, a Embrapa Pecuária Sul promoveu o encontro entre pesquisadores e docentes da área de controle parasitário buscando alinhar ideias e unir forças para a problemática do carrapato e de outras parasitoses. Quatro anos depois deste encontro, profissionais especializados no tema de controle do carrapato bovino e da tristeza parasitária bovina se uniram à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação do estado (Seapi) para auxiliar no planejamento, gestão e execução de ações que apoiem produtores e técnicos no encontro de soluções para os problemas enfrentados nas propriedades rurais. Em 2016, foi publicada uma portaria formalizando a atuação deste grupo, intitulado Grupo Técnico do Carrapato, composto por pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul, Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), Unipampa, UFRGS, Urcamp, UFPel, UPF, técnicos da SEAPI, CRMV/RS e pesquisadores aposentados destas instituições.

“Em 2016, o grupo se reuniu para definir estratégias de ação e desde o início de 2017, o GT tem realizado cursos para o aperfeiçoamento de técnicos no tratamento do problema. Temos que usar de forma eficiente e estratégica as formas de controle disponíveis para minimizar o problema do carrapato, daí a importância do aperfeiçoamento de veterinários para o acompanhamento técnico de qualidade”, conta a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul Claudia Gulias Gomes. O quinto encontro, promovido pelo GT do Carrapato, foi realizado entre os dias 10 e 11 de outubro, na Embrapa Pecuária Sul. A partir de 2018, o grupo irá focar em capacitações para médicos veterinários autônomos e extensionistas rurais.

Além das capacitações, entre as estratégias de controle estadual do carrapato bovino estão a padronização das técnicas de diagnóstico de resistência a carrapaticidas (biocarrapaticidograma) entre as instituições colaboradoras e a promoção destes testes oferecidos por meio desta rede de laboratórios credenciados. O biocarrapaticidograma é oferecido por universidades e laboratórios e, de forma gratuita, pela Embrapa Pecuária Sul e pelo IPVDF. O objetivo da rede de laboratórios é facilitar a realização de testes que demonstrem qual acaricida funciona ou não, de acordo com cada caso, em vez de escolher um produto aleatoriamente para tratar o carrapato.

Outro obstáculo a ser transposto, segundo o coordenador do grupo, Ivo Kohek, da Seapi, é a subnotificação de casos de TPB. Entre 2009 e 2016, foram notificadas 10 mil mortes por ano causadas pela doença. “Consideramos que estas 10 mil mortes anuais por TBP notificadas na Secretaria representam um número muito aquém da realidade, pois a maioria das mortes de bovinos não é devidamente diagnosticada por meio de um exame específico para Tristeza”, conta o coordenador.

 “Em 2015, tivemos 351 mil notificações de óbitos sem diagnóstico, mais outras 115 mil, em 2016. Precisamos saber quais entre essas 460 mil mortes são de TPB, para que possamos começar a computar”, explica Kohek. De posse de um número preciso de mortes causadas pela doença, poderiam ser fomentadas melhores políticas públicas para controlar e reverter a situação no estado.

De acordo com uma pesquisa realizada em uma dissertação no Curso de mestrado do IPVDF, cerca de 50% das compras de acaricidas são feitas por indicação de balconistas de loja veterinária. “Isso está totalmente errado, pois quem vende tem os interesses comerciais. Nós temos de parar de estimular essa cultura de ‘use aquilo que eu usei, ou use aquilo que a internet está vendendo. Por isso a importância de usar o biocarrapaticidograma para pautar a escolha do acaricida e ter a orientação técnica qualificada’ ”, explica Kohek.

 “Cada caso de propriedade com carrapato é único e o tratamento deveria ser pensado não somente pelo viés produtivo. Se o produtor quiser mesmo reverter uma situação problemática de carrapato, às vezes é preciso que seja feita uma operação violenta de manejo na propriedade. Sem isso não tem como resolver muitos dos casos”, garante o professor da Urcamp Guilherme Collares, que é um dos integrantes do GT.

Para Claudia Gulias Gomes, pesquisadora da Embrapa que tratou o tema de resistência aos antiparasitários, é fundamental que os produtores busquem a associação do uso consciente de carrapaticidas a medidas não químicas. “É importante ainda reduzir a frequência de tratamento e a exposição do tratador à toxicidade dos produtos, bem como o risco de resíduos químicos na carne e no leite”, enfatiza.

Entre as medidas não químicas apontadas pelos pesquisadores está o manejo de campo, como o uso de técnicas de pousio das pastagens. A pesquisadora Claudia também destacou a importância do investimento em potreiros de quarentena nas propriedades para evitar a introdução de parasitos resistentes . Além disso, é fundamental que o produtor tenha anotado todos os tratamentos efetuados no rebanho e lance mão do biocarrapaticidograma para saber qual produto ainda pode ser eficaz.

Os técnicos da Seapi também foram alertados sobre a importância de ensinar ao produtor o reconhecimento das fases de desenvolvimento do carrapato e como ensiná-los a coletar corretamente os carrapatos para a realização do biocarrapaticidograma. Outro assunto tratado foi a coleta de material para exame laboratorial da TPB. Quando o animal está doente ou morre, é importante coletar o material corretamente, para aumentar a precisão do diagnóstico. “Fechar o diagnóstico é importante por dois motivos no caso de Tristeza. No caso pós-morte para notificar corretamente e, para quando o animal está doente, para identificar se é babesia ou anaplasma. Por mais que existam medicamentos que atuem contra os dois, existem medicações específicas também. Tendo o diagnóstico de certeza podemos partir para a medicação específica”, explica a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul Emanuelle Gaspar.

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