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Abate precoce é melhor forma de reduzir emissão de metano
Um ruminante libera cerca de 56 quilos de metano por ano e o gás é o segundo mais importante para o efeito estufa
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Juliana Royo
09/06/2010

A pecuária tem uma parcela significativa na emissão de gases poluentes de efeito estufa que contribuem para o agravamento do aquecimento global. Várias propostas têm sido discutidas entre ambientalistas e especialistas do meio rural para tentar diminuir estes impactos, seja no aspecto do desmatamento para avanço de pastagens ou na liberação de metano pelos ruminantes, que é o ponto mais crítico e mais difícil de ser controlado. O boi e a vaca são animais ruminantes, ou seja, têm um processo digestivo diferente que provoca uma fermentação metabólica e faz o animal liberar muito gás metano pela boca, em forma de arroto. Este processo é natural e não há como ele ser impedido, mas algumas medidas podem ser tomadas para que os efeitos desta liberação sejam minimizados. A mais eficiente delas é bem simples: abater o animal mais cedo. Quanto menor for o tempo de vida dos ruminantes, menos gás metano será liberado para a atmosfera.

O metano é o segundo gás que mais contribui para o efeito estufa, só fica atrás do CO2, mas ele é 25 vezes mais potente do que o gás carbônico (CO2), então é um grande problema ambiental. Uma vaca ou boi adultos liberam cerca de 56 quilos de metano por ano. Se eles viverem cinco anos, vão liberar cerca de 280 quilos de metano ao longo da sua vida, mas se o tempo de abate for reduzido e eles viverem apenas três anos, a quantidade de gás liberado cai para 168 quilos ao ano, uma diminuição significativa. Contrariando muitos críticos, a pecuária brasileira se mostra em ótima posição nesta questão sustentável. Segundo um estudo feito pela Universidade de São Paulo entre os dez maiores países exportadores de carne do mundo, o Brasil foi o país que mais reduziu a quantidade de metano liberado por unidade de produção. Houve uma diminuição em 29,4% nos últimos 20 anos, enquanto a Austrália reduziu apenas 7,2%, a Argentina 8,8%, o Canadá 21,3% e a Nova Zelândia apenas 0,3%. Isto ocorreu porque o Brasil reduziu o tempo de abate médio do rebanho de cinco anos para três anos e meio.

— A melhor forma seria diminuir a produção de metano por unidade de produto, por quilo de carne e quilo de leite produzido. Qualquer medida que o produtor tome na propriedade que resulte em aumento da produtividade acaba diminuindo a produção de metano por unidade de produto. Se ele fizer melhoramento de pastagem, melhoramento genético, nutrição melhora este indicador. Se você aumentar o ganho de peso deste animal, o tempo que este animal vai demorar para ser abatido é menor. Então, se você diminui o tempo de abate, ele vai ter menos tempo de produzir metano. Por quilo de carne, você está produzindo menos metano. Sem trabalhar com o metano, em si, mas melhorando a eficiência do processo produtivo e o ganho de peso, nós já conseguimos baixar a produção de metano em 30% nos últimos anos. A pecuária tem sido muito atacada por esta questão ambiental, mas a sociedade tem que entender a problemática do aquecimento global como um desafio. Temos 20 anos para trabalhar o tema sustentabilidade, então não é para a gente trabalhar de última hora, vamos com calma para melhorar estes indicadores nos próximas 10 a 20 anos — explica o professor Paulo Henrique Mazza, da Universidade de São Paulo.

Além de diminuir o impacto ambiental gerado pela pecuária, a redução de metano por unidade de produto é vantajosa economicamente para os produtores, porque implica diretamente em aumento de produtividade e giro de capital. Existem outras duas formas de combater a liberação do metano liberado pelo rúmen bovino. A primeira é mudar a nutrição do animal para alterar este processo de fermentação metabólica. Alguns medicamentos podem ser incluídos na ração e plantas com certos princípios ativos que podem ser acrescentados à dieta para mitigar o processo, mas estas medidas, além de representarem acréscimo de custos de produção, são paliativas e não duram muito tempo.

A terceira forma de tentar resolver o problema seria fazendo uma espécie de compensação, que o pesquisador Mazza chama de balanço. Ele seria feito através do melhoramento do pasto e, principalmente, pelo plantio de árvores na fazenda, com a implantação do sistema silvipastoril. Nesse processo, a liberação de gás metano dos ruminantes não é reduzida, mas o plantio de árvores sequestra gás carbônico da atmosfera e diminui a concentração de CO2 no ar, que é o pior gás para o efeito estufa. Dessa forma, haveria uma certa compensação, o produtor planta árvores em troca do metano que está sendo produzido pelos animais da fazenda, fazendo um balanço equilibrado dos gases de efeito estufa.

— Se a gente conseguir fazer uma associação entre as três medidas, o efeito é muito mais potente. O ideal é tentar diminuir um pouco a produção de metano por animal, através da alimentação, aumentar a eficiência produtiva para diminuir a produção de metano por unidade de produto, e também tentar fixar o carbono na propriedade, através do plantio de árvores e melhoramento de pastagens — ensina Mazza, que será um dos palestrantes do II Simpósio de Sustentabilidade e Ciência Animal, que ocorre na Universidade de São Paulo, nos dias 15 e 16 de junho.

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