Termina nesta sexta, 14 de março, o 1º Encontro Tecnológico da Olivicultura dos Contrafortes da Mantiqueira promovido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), na Fazenda Experimental de Maria da Fé, no Sul de Minas, a cerca de 400 km de Belo Horizonte.
O evento, que começou nesta quinta, 13, contou com um workshop de Indicação Geográfica e de Marcas Coletivas com a participação de técnicos do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) e olivicultores da região dos Contrafortes da Mantiqueira, que inclui municípios de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Os produtores dessa região buscam a denominação de origem do azeite, uma espécie de certificação de que o azeite foi produzido em determinado local, um fator que agrega muito valor ao produto.
Em 2013, a EPAMIG e a Associação de Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (Assoolive) deram início ao processo de registro de indicação geográfica e denominação de origem do azeite produzido nessa região. A meta é ser o primeiro azeite de oliva do Brasil e da América Latina com registro de origem.
Nesta sexta, pesquisadores da EPAMIG apresentarão tecnologias desenvolvidas para produção de azeitona e extração de azeite. Os participantes também saberão mais sobre a olivicultura em Minas Gerais e a perspectiva de mercado dessa atividade no Brasil. Serão apresentados aspectos técnicos sobre o ponto de maturação adequado da azeitona para processamento do azeite e preparo de conservas, além de técnicas/dicas relacionadas à extração de azeite de qualidade.
De acordo com o pesquisador da EPAMIG, Luiz Fernando de Oliveira, o azeite deve ser extraído em até 48 horas após a colheita da azeitona, visando minimizar a deterioração, para não diminuir a qualidade do azeite, aumentando a acidez e oxidação do produto.
“Para se ter um azeite de ótima qualidade é muito importante o cuidado no transporte da azeitona. Na caixa, os frutos devem ter, no máximo, 20 cm de lâmina. Alguns produtores fazem errado, amontoam 25 a 27 kg de azeitonas numa caixa só. Tudo isso influenciará na qualidade do azeite”, destaca. Outro tema que será abordado durante o evento e costuma despertar muita curiosidade do público é a utilização do azeite na indústria de cosméticos.
Oliveira no Brasil
A EPAMIG é pioneira nas pesquisas em olivicultura, especialmente na seleção de variedades mais adequadas às condições brasileiras, produção de mudas de qualidade e no desenvolvimento de tecnologias para processamento de azeite extravirgem. Há mais de 30 anos essas pesquisas estão concentradas na Fazenda Experimental de Maria da Fé com resultados promissores para o desenvolvimento da cultura no Brasil.
O primeiro azeite extravirgem brasileiro foi extraído em 2008, na Fazenda de Maria da Fé. Em 2009 foi criada a Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira, a Assoolive, que utiliza tecnologia desenvolvida pela EPAMIG para produção de azeite. No mesmo ano a EPAMIG importou uma máquina da Itália específica para extração do azeite. Em 2011 foram produzidos 500 litros. Em 2013 foram extraídos na região da Mantiqueira cerca de 5 mil litros. A expectativa é dobrar a produção de azeite em 2014.