A cogeração no setor sucroalcooleiro

A matriz de energia elétrica brasileira está baseada em 2.030 usinas que utilizam diversas fontes energéticas, principalmente a água.

Margareth Santos
Agroenergia

No Brasil, o segmento de cogeração - geração simultânea de energia térmica e mecânica a partir do mesmo combustível: gás natural, palha, ponteiros, entre outros – de energia elétrica a partir do bagaço da cana dispõe de uma potência instalada estimada próxima de 3,3 milhões de quilowatts (kW). Isso corresponde a 2,99% da matriz energética elétrica nacional. Somente no Estado de São Paulo, as usinas de cogeração respondem por 1,7 mil megawatts (MW) do potencial técnico instalado, disponibilizando cerca de 663 megawatts para exportação.

Atualmente, o Estado de São Paulo concentra a maioria das usinas e destilarias de açúcar e álcool do País, e a matriz de energia elétrica brasileira está baseada em 2.030 usinas que utilizam diversas fontes energéticas, principalmente a água (aproximadamente 71%). A capacidade total instalada é de quase 111 mil MW, dos quais 21,45% só em São Paulo, conforme dados de 2009 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Já a energia mecânica pode ser usada na forma de trabalho ou transformada em eletricidade por meio de geradores, e a energia térmica é utilizada como fonte de calor para um processo industrial ou no setor de comércio e serviços. A produção elétrica nas usinas de açúcar e álcool, na cogeração com uso do bagaço da cana como combustível, é comum no meio industrial, variando apenas a eficiência de uso do bagaço, dependendo das condições climáticas.

As usinas de açúcar e álcool, no País, são praticamente autosuficientes em energia, sendo 98% da demanda atendida pelo bagaço da cana e os outros 2% atendidos com óleo diesel, álcool, lenha, gasolina e a eletricidade comprada das distribuidoras. Algumas particularidades afetam o setor, como a impossibilidade de armazenamento, a sazonalidade de produção e consumo e o limite de transmissão dentro de um pool de energia, fazendo com que a energia elétrica apresente grande volatilidade de preços.

O Plano Nacional de Energia 2030 reconhece a importância da geração distribuída de eletricidade, sobretudo das fontes alternativas, projetando um acréscimo de mais de 15 mil MW para 2030. Só o mercado sucroalcooleiro acrescentaria 4 mil MW, com o processamento de mais de 1,1 bilhão de toneladas de cana anualmente. Veja as informações na tabela, clicando no link abaixo:

Matriz Nacional de Energia Elétrica: capacidade instalada em janeiro de 2009. Fonte: ANEEL, 2009.

 

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