Devido à importância socioeconômica da cultura do algodão para o Nordeste brasileiro, foi executado no assento Margarida Maria Alves, em Juarez Távora, na Paraíba, uma experiência para agregar valor ao produto. A Embrapa Algodão coordenou o beneficiamento por meio de mini-usina composta de descaroçador, com 50 serras, e um prensa hidráulica de baixa densidade. Os agricultores comercializaram o algodão em pluma diretamente à indústria de fiação, além do caroço, usado na alimentação animal durante a estiagem.
O beneficiamento do algodão na própria comunidade permitiu que todos os produtores obtivessem uma renda líquida positiva. O acesso à tecnologia aumentou o rendimento em torno de 6% em relação à rama (modelo tradicional). No entanto, a variação poderá ser ainda maior em virtude do custo de produção e do preço de mercado. Verificou-se que é indispensável o cultivo e beneficiamento do algodão na própria comunidade para a criação de um sistema agroecológico no âmbito da agricultura familiar.
As capacitações aconteceram ao longo do ciclo, em reuniões de quatro horas de duração, e os treinamentos divididos em duas partes, uma de gestão de recursos e planejamento da produção (ressaltando o papel de cada um na agricultura familiar) e outra de caráter tecnológico (envolvendo a cadeia produtiva). A área plantada, de 1,14 hectare, rendeu uma média de R$ 438,60 de lucro líquido com a venda da pluma e do caroço, o que equivale a renda líquida de R$ 384,76 por hectare. Ao todo foram produzidos 7,7 toneladas de algodão, comercializados a R$ 0,90 o quilo.
Dos sete produtores que participaram do projeto, apenas dois obtiveram renda líquida abaixo de R$ 100. Entretanto, essa renda seria negativa se a comercialização fosse realizada na forma de algodão em rama. A pesquisa valorizou o saber popular, estimulou a participação, desenvolveu um ambiente lúdico e amigável. A disponibilidade de tecnologias adequadas, acessíveis aos pequenos agricultores, permite o cultivo racional do algodoeiro por meio da utilização das técnicas de conservação do solo, práticas culturais, manejo de pragas e de pós-colheita.