A economia do medo

Como um poderoso multiplicador de posturas, o medo leva a cidade a perder sua identidade, seu provincianismo, sua dignidade. A economia da cidade fez do medo uma de suas molas propulsoras

Afonso Peche Filho
Agronegócio

 

A cidade cresce construindo diferentes cenários. Alguns de alegria e felicidade, outros de tristeza e depressão. Cenários de pobreza e exclusão, cenários de riqueza e seleção. Todos cenários tem o medo em comum.

Como um poderoso multiplicador de posturas, o medo leva a cidade a perder sua identidade, seu provincianismo, sua dignidade. A economia da cidade fez do medo uma de suas molas propulsoras. O medo tornou-se sócio dos serviços e dos fornecedores de tecnologias. A segurança numa velocidade incrível integra-se nos serviços urbanos imprescindíveis como água, esgoto, lixo, educação...

O medo faz com que as cidades projetem investimentos inevitáveis e gigantescos em segurança, leva a convivência com um déficit público maior que o orçamento. Assim cresce nas cidades uma espécie de “globalização do medo” desenvolvendo um “colapso nervoso municipal” explorado por investidores, pela indústria, pelo comercio e inúmeros tipos de serviços de segurança.

Todos, havidos por manter o mercado da “economia do medo”. Os cidadãos ficam estressados, desorientados, desiludidos. O homem da cidade desenvolve a “síndrome do pânico no estomago”. No campo, o medo ainda está chegando.