A importância da ambiência na cunicultura

O aumento do consumo de carne de coelho no Brasil está levando muita gente a apostar na atividade

Adália Freitas de Oliveira e José Antonio Delfino Barbosa Filho
Manejo

A cunicultura está em crescimento no Brasil. Um dos motivos é devido à atividade proporcionar um rápido retorno financeiro ao produtor e por possibilitar o aproveitamento de diversos produtos oriundos do processo produtivo. O aumento do consumo de carne de coelho no Brasil está levando muita gente a apostar na cunicultura, o problema, porém, é que muitos iniciam o novo negócio sem um mínimo de preparo e planejamento, obtendo assim, como resultado, uma baixa produção e um produto sem a qualidade exigida pelo mercado.

Para que a criação de coelhos dê frutos, são necessários alguns cuidados essenciais, dentre eles, construir instalações adequadas para os animais. Os coelhos necessitam de uma temperatura adequada, a partir do desmame, variando entre 15 a 20°C e a umidade relativa em torno de 60 a 70%, logo a preocupação com as variáveis ambientais é indispensável. Locais com pouca circulação de ar e galpões fechados certamente prejudicarão a produção. Portanto, é muito importante que as instalações forneçam condições ambientais mínimas que favoreçam o conforto térmico e o bem-estar dos animais.

O produtor deve sempre que possível investir em técnicas simples, sem custos elevados e que poderão resultar em grandes ganhos na produção, como por exemplo, adotar a correta orientação da instalação ou a utilização de árvores como quebra-ventos, plantar grama em volta do galpão para ajudar diminuir a sensação térmica também é uma boa dica. No telhado, as telhas de cerâmica são as mais indicadas, pois não retém tanto calor como os demais tipos de telhas, pode-se ainda pintar o telhado de branco, isso irá ajudar a refletir a radiação solar amenizando assim a temperatura dentro do galpão. Sabe-se dos problemas que as temperaturas elevadas podem causar aos coelhos, tais como a queda na alimentação e a redução da fertilidade e prolificidade das coelhas, além do comprometimento no tamanho e peso da ninhada. 

Quando os coelhos estão sofrendo estresse térmico é notável a mudança de comportamento. Eles se deitam estendendo o corpo para trocar calor com o ambiente, as orelhas ficam mais rosadas e quentes, se movimentam menos e começam a se molhar no bebedouro, e isso é ruim e poderá causar alguns problemas aos animais. Colocar azulejos dentro da gaiola é uma medida prática e simples que é recomendada para diminuir o estresse térmico dos animais, pois o coelho poderá deitar-se em cima do azulejo e se refrescar. Caso seja uma criação pequena, que não exija grande mão-de-obra pode-se ainda dar uma pequena borrifada de água nas orelhas dos animais, amenizando assim o estresse térmico. 

O ideal e recomendável é que o projeto construtivo das instalações seja baseado na identificação dos fatores ambientais que prevalecem na região onde a criação será implantada, bem como a fase de desenvolvimento dos animais. Sabemos da grande variação do clima em nosso país e do potencial produtivo que temos para o desenvolvimento da cunicultura, sendo assim, surge a necessidade urgente de estudos e pesquisas voltados para os impactos das variáveis ambientais na produção, bem como o desenvolvimento de técnicas de manejo visando redução de perdas nos processos produtivos e melhores condições de bem-estar para os animais.