A sustentabilidade da atividade cogeradora

A geração de energia elétrica por fontes de biomassa é considerada como atividade contribuinte à redução do efeito estufa e das emissões de CO2.

Margareth Santos
Agroenergia

A energia proveniente da biomassa é um alternativa renovável aos derivados do petróleo, porém há questões que devem ser analisadas a fundo para garantir a sustentabilidade da sua utilização. É justificável a preocupação em relação aos impactos ambientais e às pressões resultantes dessa atividade sobre os recursos naturais. Diante das perspectivas de expansão da produção e exportação de eletricidade pelo setor sucroalcooleiro, é preciso garantir de fato qualidades positivas ao considerarmos a ampliação das oportunidades no mercado.

A geração de energia elétrica por fontes de biomassa é considerada como atividade contribuinte à redução do efeito estufa e das emissões de CO2 (dióxido de carbono) e aceita como atividade de projeto inserível no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). No entanto, uma vez que a cogeração envolve a queima de resíduos agrícolas, pode também, em condições não controladas, contribuir com emissões de gases de efeito estufa e de poluentes atmosféricos.

Temas como a mecanização da colheita em substituição à colheita manual, o uso dos recursos hídricos no processo e a geração de emprego no campo, devem receber atenção adequada, para fornecer os subsídios necessários ao aproveitamento sustentável desse recurso. Aspectos ambientais mais preocupantes, como a emissão de material particulado (MP) e óxidos de nitrogênio (Nox), assim como a demanda por água, podem vir a aumentar em função da produção de excedentes adicionais de eletricidade pelas usinas paulistas.

A legislação que restringe gradualmente a queima pré-colheita vai atuar de forma positiva para que esse resíduo seja incorporado ao sistema de geração de energia. Já existem tecnologias comerciais que podem levar à redução de consumos na área de processos da usina, resultando em excedentes de bagaço em 45%. Os volumes excedentes de bagaço e palha são grandes contextos energéticos, portanto, espera-se que nos próximos anos sua utilização para a energia seja implementada em larga escala.