A utilização energética do palhiço

A potencialidade do setor sucroalcooleiro de gerar maior quantidade de energia elétrica aproveitando o palhiço prevê ainda mais a redução de emissões de dióxido de carbono.

Margareth Santos
Agroenergia

O setor sucroalcooleiro apresenta outra possibilidade para a cogeração, além do bagaço: o palhiço da cana-de-açúcar. Representantes da Associação Paulista de Cogeração de Energia apontam um potencial para a safra de 2010/2011 de 4.407 MW (megawatts) aproveitando o bagaço e o palhiço, contra a média atual de 2.715 MW, com o bagaço somente. O uso do palhiço depende da colheita sem queimada – maior contribuinte para o aquecimento global do setor.

A potencialidade do setor sucroalcooleiro de gerar maior quantidade de energia elétrica aproveitando o palhiço prevê ainda mais a redução de emissões de dióxido de carbono e ganhos com a venda de créditos de carbono. À medida em que a colheita mecânica for implementada em SP, a quantidade disponível de palhiço irá aumentar e poderá ser usado a fim de gerar energia, já que seu poder calorífico (12,75 mega-joule por quilo – MJ/kg – com 15% de umidade) é superior ao do bagaço (7,5 mega-joule por quilo com 50% de umidade).

Para as usinas paulistas, estimou-se em mais de 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente a quantidade de emissões evitadas para a produção de 1.420 MW excedentes durante o período de safra. Se as usinas operassem durante os 365 dias do ano, gerando 4.020 MW excedentes, seriam evitadas as emissões de mais de 8 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente.

Conforme estudos da Empresa de Pesquisa Energética – EPE, a Matriz Energética Nacional 2030, as perspectivas para a cogeração serão ampliadas em função do aumento da produção de cana-de-açúcar, que está diretamente ligada ao aumento da demanda por etanol. Haverá substituição dos ciclos a vapor por outros mais eficientes, usando turbinas de contrapressão, condensação e extração. Portanto, o rendimento energético saltará de 15 KWh (quilowatt/hora) para 105 KWh por tonelada de biomassa. Se o palhiço for utilizado, a produção tende a aumentar em 50% em média.

O Plano Decenal de Expansão de Energia 2007-2016, da EPE, indica a possibilidade técnica de substituição integral das termoelétricas a gás natural por centrais de cogeração de cana em toda região Sudeste. No que diz respeito à queima da palha nas caldeiras, especialistas enfatizam que é preciso considerar itens operacionais importantes tais como quantidade de terra no palhiço, adaptações tecnológicas nos equipamentos e dinâmica de fornecimento à caldeira.

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