Ácaros entram na guerra contra as pragas do morango

Uso de ácaros predadores e produto com extrato de nim combatem os principais insetos problemáticos para a cultura, sem deixar resíduos químicos

Juliana Royo
Sanidade Vegetal

O morango é uma das culturas que mais sofrem com o excesso de agrotóxicos e resíduos químicos. Durante o V Simpósio Nacional do Morango, que acontece de 21 a 23 de setembro, em Pelotas, Rio Grande do Sul, o pesquisador Marcos Botton, da Embrapa Uva e Vinho, vai falar sobre as novas formas de manejo de pragas na cultura como o uso de ácaros predadores e a recente liberação do produto à base de extrato de nim, que não possui carência, ou seja, não deixa resíduo e pode ser utilizado perto da colheita.

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— Estamos tendo a oportunidade de liberar ácaros predadores que são produzidos comercialmente agora para controlar o ácaro rajado do morangueiro. Recentemente, há um mês, tivemos o registro de um extrato de planta de nim para o controle desta praga. É a primeira formulação comercial de nim que está sendo autorizada pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para o controle de pragas do morangueiro. A gente pode usar estas duas tecnologias em conjunto porque algumas vezes a população de ácaro rajado já está um pouco alta e o ácaro predador sozinho não consegue fazer todo o controle, aí o produtor pode aplicar também o produto com extrato de nim, para complementar — explica Botton.

A principal praga que afeta a cultura do morangueiro na Região Sul é o ácaro rajado, que se alimenta das folhas causando redução de produção e até a morte das plantas. Outras pragas importantes são a broca do fruto do morangueiro, que destrói os frutos no ponto de colheita, e algumas lagartas, que cortam as plantas e também podem causar a morte delas. O pesquisador chama a atenção para a necessidade de se fazer o monitoramento das pragas para que o produtor escolha melhor que método de controle utilizar e quando aplicar um produto. Outro ponto importante, segundo Botton, é a identificação correta dos danos causados pelas pragas. Ele diz que muitos produtores estão atribuindo danos na formação de frutos à tripes, quando a praga não causa este tipo de problema. Com isso, usam o controle de forma errada.

— Os cuidados de manejo com as pragas começam pela questão de mudas sadias, principalmente no caso do ácaro. Outro ponto importante é procurar selecionar áreas de cultivo que não tenham muito problema com pragas de solo porque em algumas regiões a gente tem encontrado algumas larvas de solo, um inseto que se alimenta de raízes do morangueiro. Também chamamos atenção para a necessidade do monitoramento e, se for necessário o controle químico, somente usar produtos que sejam liberados para aquela cultura e respeitar o período de carência. Essa questão dos resíduos tóxicos é um dos grandes problemas dos morangueiros, que faz com que o morango seja considerado uma das culturas com mais problema de inconformidade nas análises de resíduos — alerta.