Ácaros na cultura da soja

Surtos de ácaros têm atingido a cultura da soja em alguns anos. A praga causa a perda da capacidade fotossintética das plantas. Em artigo, a Fundação MS descreve as espécies e orienta o seu controle

Pedro Zuazo
Pragas

Em alguns anos, surtos de ácaro têm sido observados na cultura da soja. Os ácaros são artrópodes com menos de um milímetro de comprimento que sugam a seiva das folhas e pecíolos de plantas novas. As folhas ficam amareladas e, em alguns casos, caem. O prejuízo para a lavoura é a perda de capacidade fotossintética das plantas.

Os ácaros têm quatro pares de patas, com cabeça e tórax fundidos, e se instalam na parte inferior da folha. Em função do seu tamanho, a praga só pode ser monitorada com auxílio de lupa e amostragens. Os sintomas do ataque, geralmente percebidos após a migração da praga, têm maior incidência em reboleiras, por isso o controle pode ser feito apenas nesses locais.

O controle é feito por inseticidas aplicados para controle de outras pragas da soja, exceto no caso do ácaro rajado, que desenvolve resistência aos produtos químicos. Por isso, o controle de ácaros na soja só é necessário em situações de desfolha acentuada, com a aplicação de acaricidas como abamectin, propargite, clorfenapir, enxofre ou diafentiuron. De acordo com a Fundação MS, é importante que o profissional responsável pela recomendação atente para o registro no Ministério da Agricultura antes da prescrição.

Ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus)
As fêmeas têm coloração branca a amarelada brilhante, medem cerca de 0,16 milímetros e atacam os ponteiros da soja e as folhas mais novas, causando escurecimento ou enrolamento para baixo dos bordos das folhas e rasgaduras. Ataques intensos causam a seca e a queda das folhas. É favorecido por temperatura e umidade elevadas.

Ácaro vermelho (Tetranychus ludeni e Tetranychus desertorum)
As fêmeas são de cor vermelha intensa e os machos são amarelo-esverdeados. Medem cerca de 0,4 milímetros e geralmente formam colônias nos folíolos do ponteiro ou da região mediana. As folhas ficam amareladas e caem prematuramente. T. ludeni predomina no início da cultura, até janeiro e T. desertorum tem incidência a partir de janeiro.

Ácaro rajado (Tetranychus urticae)
As fêmeas têm manchas verdes escuras no dorso e medem entre 0,25 milímetros e 0,46 milímetros. Formam colônias embaixo dos folíolos, que recobrem com teias. Sugam a seiva das folhas novas, deixando os folíolos amarelos e, posteriormente, com manchas branco-prateadas ou aspecto necrosado. Ataques intensos causam a seca e queda de folhas. Clima com temperaturas elevadas e baixa umidade favorecem o aumento populacional.