Em alguns anos, surtos de ácaro têm sido observados na cultura da soja. Os ácaros são artrópodes com menos de um milímetro de comprimento que sugam a seiva das folhas e pecíolos de plantas novas. As folhas ficam amareladas e, em alguns casos, caem. O prejuízo para a lavoura é a perda de capacidade fotossintética das plantas.
Os ácaros têm quatro pares de patas, com cabeça e tórax fundidos, e se instalam na parte inferior da folha. Em função do seu tamanho, a praga só pode ser monitorada com auxílio de lupa e amostragens. Os sintomas do ataque, geralmente percebidos após a migração da praga, têm maior incidência em reboleiras, por isso o controle pode ser feito apenas nesses locais.
O controle é feito por inseticidas aplicados para controle de outras pragas da soja, exceto no caso do ácaro rajado, que desenvolve resistência aos produtos químicos. Por isso, o controle de ácaros na soja só é necessário em situações de desfolha acentuada, com a aplicação de acaricidas como abamectin, propargite, clorfenapir, enxofre ou diafentiuron. De acordo com a Fundação MS, é importante que o profissional responsável pela recomendação atente para o registro no Ministério da Agricultura antes da prescrição.
Ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus)
As fêmeas têm coloração branca a amarelada brilhante, medem cerca de 0,16 milímetros e atacam os ponteiros da soja e as folhas mais novas, causando escurecimento ou enrolamento para baixo dos bordos das folhas e rasgaduras. Ataques intensos causam a seca e a queda das folhas. É favorecido por temperatura e umidade elevadas.
Ácaro vermelho (Tetranychus ludeni e Tetranychus desertorum)
As fêmeas são de cor vermelha intensa e os machos são amarelo-esverdeados. Medem cerca de 0,4 milímetros e geralmente formam colônias nos folíolos do ponteiro ou da região mediana. As folhas ficam amareladas e caem prematuramente. T. ludeni predomina no início da cultura, até janeiro e T. desertorum tem incidência a partir de janeiro.
Ácaro rajado (Tetranychus urticae)
As fêmeas têm manchas verdes escuras no dorso e medem entre 0,25 milímetros e 0,46 milímetros. Formam colônias embaixo dos folíolos, que recobrem com teias. Sugam a seiva das folhas novas, deixando os folíolos amarelos e, posteriormente, com manchas branco-prateadas ou aspecto necrosado. Ataques intensos causam a seca e queda de folhas. Clima com temperaturas elevadas e baixa umidade favorecem o aumento populacional.