Adubação com micronutrientes aumenta produtividade da cana

A aplicação dos nutrientes no solo pode gerar incrementos de até 20 toneladas por hectare na produtividade da cultura

Pedro Zuazo
Adubação

O agronegócio canavieiro desempenha um importante papel na economia brasileira, mas a produtividade agrícola da cana-de-açúcar ainda é baixa, com uma média de 80 toneladas por hectare. Um dos fatores que contribui para isso é a expansão da cultura para áreas com solos de baixa fertilidade. Com o objetivo de encontrar uma solução eficaz e rentável para reverter esse quadro, o Instituto de Agronomia de Campinas criou o projeto “Micronutrientes em cana-de-açúcar”, que avalia a resposta da cana à aplicação de micronutrientes no solo.

|BARRA_AUDIO|

Os experimentos tiveram início em 2006, em 15 locais do Estado de São Paulo com diferentes tipos de solo, todos de baixa fertilidade. Sob a coordenação dos pesquisadores Estêvão Vicari Mellis e José Antonio Quaggio, do Centro de Solos e Recursos Ambientais, o trabalho comparou o método de adubação convencional com a metologia da aplicação, no sulco de plantio, dos micronutrientes boro, cobre, manganês, molibdênio e zinco. Os resultados, de acordo com Estêvão Mellis, mostraram que a tecnologia é rentável:

— Pode-se afirmar que a adubação com micronutrientes é uma atividade economicamente viável. Com a aplicação de zinco, por exemplo, obtivemos um aumento de produção de 17% em comparação à testemunha, o que correspondeu a uma média de 20 toneladas a mais de cana por hectare. Se fizermos a relação do ganho material com a produção de colmos, a rentabilidade econômica por hectare seria por volta de R$ 550 — explica.

As adubações realizadas com manganês e molibdênio também deram resultados significativos, registrando um aumento de 14%. Neste caso, entretanto, o ganho marginal seria um pouco mais baixo, em função do elevado custo das fontes desses micronutrientes.

Segundo Mellis, o aumento da produtividade por hectare diminui a necessidade de expansão da cana-de-açúcar para novas áreas, que tem gerado críticas por parte da comunidade internacional por ocupar terras possivelmente destinadas à produção de grãos.