Adubação e irrigação excessivas causam doenças no maracujá

Manejo inadequado favorece surgimento de fungos na parte radicular e aérea da planta que podem inviabilizar o cultivo

Juliana Royo
Sanidade Vegetal

Há algum tempo pesquisadores têm se dedicado a alertar sobre os problemas da irrigação e adubação irracional, em que o produtor não faz análise de solo ou controle de água. O maracujá serve para ilustrar como a irresponsabilidade com a água e com os insumos colocados no solo pode atrapalhar bastante o cultivo, ao invés de melhorar a produtividade. O excesso de água no pé da planta favorece o surgimento de doenças fúngicas, que comprometem a plantação a ponto de inviabilizar a atividade do produtor. Já a adubação exagerada de nitrogênio favorece o surgimento de quase todas as doenças de parte aérea, que são nocivas principalmente ao fruto e fazem com que o maracujá perca todo o seu valor comercial.

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— As doenças mais importantes do maracujá são, em primeiro lugar de importância, a fusariose, depois as viroses, a antracnose e a verrugose, sendo que a fusariose e as viroses são hoje consideradas as principais doenças porque são difíceis de manejar e necessitam um controle preventivo. Uma vez instaladas na cultura, não há métodos curativos porque é muito difícil você ter o controle delas, por isso é muito importante o manejo adequado — alerta a pesquisadora Cristiane de Jesus Barbosa, da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.

Além de fazer a adubação e a irrigação de forma mais controlada e responsável, o produtor de maracujá também precisa ficar atento a outros cuidados de manejo que influenciam no surgimento das doenças. O agricultor deve evitar plantar maracujá em solos arenosos porque favorece o desenvolvimento de doenças fúngicas e da fusariose, que é a principal doença da cultura. Outro cuidado importante é medir o pH do solo, porque o pH ácido também faz com que o maracujazeiro desenvolva doenças de forma mais fácil. A pesquisadora da Embrapa diz que a medida mais importante é plantar mudas sadias para que o produtor não introduza a doença na sua plantação.

— No caso da fusariose, ela pode chegar até a inviabilizar um plantio totalmente porque ela leva à morte da planta. Você tem um quadro de murcha, uma murcha generalizada, onde as flores ficam retidas na planta e ela entra em colapso total. No caso das viroses, a gente pode ter uma convivência melhor porque, dependendo do caso da região e do tipo de vírus que ocorra, é possível ainda produzir, mas os vírus causam danos muito grandes na qualidade dos frutos. O principal vírus que ataca o maracujá ataca principalmente o fruto, deixa ele pequeno, endurecido, sem valor comercial. A fusariose ataca mais o sistema radicular e a virose ataca mais a parte aérea e os frutos — resume a pesquisadora