No Norte de Minas Gerais, o período da seca traz a necessidade dos produtores rurais que trabalham com bovinos de corte e de leite fomentarem a oferta de alimento para os animais. Foi justamente a análise dos solos da região que deu origem à “Pesquisa em pastagens para pecuária extensiva”, do professor Luiz Arnaldo Fernandes, do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A partir do laboratório de análises de solo da universidade e da procura de pecuaristas por orientações de melhoria da qualidade dos pastos em suas propriedades, foram estudadas doses e fontes de corretivos para pastagens recém-implantadas ou em reforma. Foram testados como adubo duas variações de calcário, silicato de cálcio e magnésio e adubações de plantio, com o uso de diferentes fontes de fósforo, nitrogênio e potássio.
Em áreas distintas, foram utilizados o calcário dolomítico, o calcítico ou a mistura de ambos, de acordo com a análise do solo. Já em outras regiões, o silicato de cálcio e magnésio foi o recurso de fertilização. De acordo com o professor, os resultados mostram que, apesar de ser um produto de maior custo no norte mineiro, o calcário dolomítico exerce boa influência na produção, assim como a mistura ou o silicato. Foi observado que apenas o calcário calcítico, em terras com baixo teor de magnésio e alto teor de cálcio, como é característico na região, obtém resposta negativa. Luiz Arnaldo explica que o calcário com teor de cálcio mais alto desestabiliza a relação cálcio / magnésio.
— Para o solo com baixa quantidade de magnésio, inferior a 0,5 cm por centímetro cúbico, recomendamos a aplicação de pelo menos parte do calcário dolomítico ou o silicato de cálcio e magnésio, que teve resultado equivalente — aconselha o pesquisador, informando que, em solos pobres em fósforo, é importante a aplicação de 50 quilos da substância a cada dois anos.