Agricultores fluminenses participam de palestra sobre moirão vivo

Embrapa Agrobiologia
Manejo

Levar a agricultores familiares tecnologias e conhecimento a respeito de temas que podem fazer diferença em seu dia a dia é uma das missões da Escolinha de Agroecologia de Nova Iguaçu/RJ, da qual a Embrapa Agrobiologia (Seropédica/RJ) é parceira. Na semana passada, o pesquisador Alexander Resende e o bolsista Elson Barbosa participaram da iniciativa, ensinando os alunos sobre moirão vivo na construção de cercas ecológicas. "Ao invés de cortar uma árvore para fazer um moirão de cerca, a gente incentiva o plantio", explica Alexander.

Essa foi a quinta vez que o pesquisador esteve no local falando sobre o tema, desta vez para um público de aproximadamente 40 pessoas, entre pequenos agricultores, alunos de escolas técnicas e estudantes de Biologia. "É sempre muito legal, pois temos chance de ver como o moirão vivo é uma tecnologia bem aceita pelos agricultores familiares. Para eles, é uma alternativa viável e acessível em seu dia a dia", diz.

Moirão vivo – A tecnologia do moirão vivo é uma alternativa ao uso da madeira para a construção de cercas. Além de ter um alto custo, o moirão feito a partir de madeira de lei gera impacto ambiental negativo, por estimular o desmatamento e ameaçar ou acarretar o desaparecimento de diversas espécies, como a aroeira e a braúna, que correm risco de extinção. O uso de madeiras menos nobres, como o eucalipto tratado com produtos químicos, também é uma realidade, mas seus custos são elevados.

O moirão vivo prevê a utilização, nas cercas permanentes, de estacas de gliricídia ou eritrina, que têm a capacidade de enraizar e brotar, transformando-se em árvore. Além da redução da pressão sobre as florestas para a obtenção de moirões, as espécies utilizadas nessa tecnologia apresentam vantagens, como a adubação do solo a partir da introdução de nitrogênio proveniente do ar pela queda das folhas, e também forragem e sombra para o gado, néctar e pólen para as abelhas. Ou seja, representa uma mudança de atitude em busca de mais sustentabilidade.

Sobre a Escolinha – A Escolinha de Agroecologia é uma realização da Comissão Pastoral da Terra e da Emater-Rio/Nova Iguaçu, tendo como colaboradores técnicos da Emater, pesquisadores da Embrapa Agrobiologia e da Pesagro-Olericultura, além de professores e ex-alunos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. A iniciativa funciona há oito anos, sempre de março a dezembro, com aproximadamente 25 encontros anuais e uma média de 40 alunos formados por ano.

Alguns dos temas abordados são manejo ecológico do solo, controle alternativo de pragas e doenças, pequenas criações, sistemas agroflorestais e segurança alimentar. "Participar desse projeto é motivo de muito orgulho, pois ele tem grande reconhecimento e traz benefícios práticos na vida das pessoas", ressalta Alexander.