Agricultores resgatam tradição de plantio em mutirão

Sistemas agroflorestais podem ser opção de renda com preservação ambiental

Embrapa Florestas
Manejo

Um resgate da tradição do plantio em mutirão em propriedades rurais será feito nos dias 05 e 06 de maio (quarta e quinta-feira) em Morretes (PR). Cerca de 20 agricultores familiares, entre eles assentados rurais, vão implantar áreas de sistemas agroflorestais em dois lotes da Gleba Pantanal, assentamento do INCRA.

Sistemas agroflorestais (SAFs) são uma forma de uso da terra na qual se combinam árvores (frutíferas e/ou madeireiras) com cultivos agrícolas e/ou animais, de forma simultânea ou em seqüência temporal e que interagem econômica e ecologicamente. Em uma região de remanescente de Mata Atlântica - que sofre grande pressão ambiental – os sistemas agroflorestais podem ser uma alternativa viável de renda aos produtores aliada à preservação ambiental.

A combinação de plantio é feita para reproduzir, funcional e sucessionalmente, o que acontece na natureza, mas alia utilidade econômica, com produção agrícola e madeireira.

Ao lado do plantio do sistema, será isolada uma área para regeneração natural da floresta, chamada de “área testemunha”. A hipótese é que a prática da indução de um sistema agroflorestal, com plantio de espécies florestais e agrícolas, é melhor do que simplesmente abandonar a área para que ela se recupere sozinha. Além dos benefícios ambientais, existem os benefícios econômicos e sociais vinculados aos SAFs. Para isso são utilizados indicadores que permitem acompanhamento da evolução das áreas.

Esta atividade é parte do Projeto Juçara, coordenado pela Embrapa Florestas. O plantio será conduzido pela organização não-governamental Cooperafloresta em parceria com o Instituto Emater. A Embrapa Florestas contribui com a organização do mutirão e com a parte de observação e análise dos indicadores. O trabalho é viabilizado com recursos da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia.

Esta experiência é similar a uma já existente em Barra do Turvo, no Vale do Ribeira, onde agricultores familiares já constatam os benefícios econômicos e ambientais dos SAFs. Um agricultor da região e um técnico da Cooperafloresta coordenam as atividades em Morretes.

Texto: Katia Pichelli