
A abundância de alimentos em mercados das grandes cidades faz um importante contraste com a segurança alimentar da população mundial. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), é necessário um aumento de 70% na produção agrícola para que se consiga alimentar os bilhões de habitantes previstos para 2050. Os preços de arroz, trigo e milho do passado recente já causaram uma crise de abastecimento. Hoje os preços voltaram a baixar, mas continuam acima da média. Enfim, é mais do que necessário debater e colocar em prática ações para minimizar impactos totalmente previsíveis.
Estatísticas indicam que, em breve, o mundo terá quase um bilhão de pessoas passando fome e se forem mantidas as atuais técnicas de cultivo o problema será muito maior. Sabe-se que em 1950 havia 0,52 hectare de terra cultivada para cada habitante e esse número está em queda. Hoje está em torno de 0,25 hectare por pessoa e deverá chegar em 0,16 per capta em 2050. Ou seja, vem caindo vertiginosamente a proporção de terra agriculturável por pessoa. Apenas 40% da terra per capta disponível para plantar alimentos em 1950 estarão disponíveis para o mesmo fim em 2050.
Desde 2005 vem ocorrendo uma alta dos preços dos grãos, em função da crescente demanda por alimentos. Sem contar os problemas de falta de água, de falta de terras, das crescentes inundações e secas, além dos problemas energéticos, insumo essencial para o trabalho das máquinas agrícolas e tratamento de grãos. Para se aumentar a produção de alimentos também é necessário aumentar a geração de energia, muitas vezes conseguida com a própria produção de culturas como a cana-de-açúcar. Como agravante, registra-se o aumento populacional e mudança nos hábitos alimentares – em especial na China – onde o aumento do consumo de proteína animal reflete automaticamente no aumento da quantidade necessária de ração para alimentar os animais.
Nas décadas de 60 e 70, houve uma grande melhoria na produtividade agrícola, principalmente nos países menos desenvolvidos. Este desenvolvimento ficou sendo conhecido como “a revolução verde”. Durante este período, iniciou-se a utilização de sementes melhoradas, particularmente as híbridas, insumos industriais, como fertilizantes e defensivos agrícolas, da mecanização e diminuição do custo de manejo, assim como o uso extensivo de tecnologia no plantio, na irrigação, na colheita e no gerenciamento da produção. Isso foi importante para aquele momento.
No entanto, o desenvolvimento econômico e humano acontece em saltos exponenciais. A crise agrícola e alimentar que se avizinha deve obviamente ser cuidada pelas políticas governamentais e ações mundiais da ONU (Organização das Nações Unidas). Mas as políticas globais devem ser direcionadas para o fortalecimento do abastecimento de forma sustentável. E mais do que nunca devem contar com a importante e inestimável colaboração das companhias voltadas para pesquisa e desenvolvimento de novas soluções para o aumento de produtividade dos cultivos.
Ao se manter o uso das tecnologias agrícolas convencionais, pode-se esperar um aumento de apenas 2% ao ano na produção de alimentos. E sabe-se que as áreas de cultivos não tratadas perdem 50% de produtividade com ataques de insetos, fungos e plantas daninhas. É preciso aumentar muito a produtividade para conseguir alimentar a população dos próximos 40 anos, com produtos de alta qualidade a preços compatíveis. E os preços dos alimentos só serão menores com o aumento da produção.
Por tudo isso, é urgente a realização de uma “segunda revolução verde”! O desejado aumento de 70% na produção de alimentos só será alcançado com o uso de todas as tecnologias disponíveis e que chegam ano a ano ao mercado. É preciso incentivar a rotação de culturas, a irrigação consciente, o uso de novos e inovadores defensivos agrícolas, sementes com maior potencial de rendimento, além da fundamental implantação da biotecnologia agrícola, técnica já dominada e disponível.
De acordo com o Grupo Consultivo em Pesquisa Agrícola Internacional, o uso da biotecnologia vegetal permitirá um aumento do potencial produtivo em 25%. Não podemos alcançar a segurança alimentar sem o uso da engenharia genética. Ela permitirá uma segunda revolução verde.