Como definir agroecologia? De acordo com o pesquisador Stéphane Bellon, ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas da França (Inra, na sigla em francês), este é um campo científico em construção, “um verdadeiro canteiro de obras”. A afirmação foi feita durante o “Seminário de Agroecologia Brasil-França”, que termina nesta sexta, 6, na sede do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Londrina.
Para Bellon, a diversidade é reflexo da grande abrangência adquirida nas últimas décadas. Ciência, produção agropecuária, movimentos sociais e, ainda, formuladores de políticas públicas estão envolvidos na construção desse entendimento.
Na mesma linha de raciocínio, o professor Luiz Norder, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), acrescenta que há divergências mesmo onde reina uma “aparente homogeneidade”, citando o exemplo do grupo que enfoca a agroecologia como um modelo de produção agrícola. Nesse grupo, o leque de entendimento abrange a defesa do conceito apenas para a agricultura familiar e tradicional – como como os indígenas, quilombolas, etc. – até os que admitem sistemas de manejo das lavouras em que se utilizam técnicas para diminuir o impacto à natureza, como, por exemplo, a redução do uso de fertilizantes e agrotóxicos, por exemplo.
Em outra vertente, há aqueles que vislumbram na agroecologia não apenas um modo de produzir alimentos, mas “um processo de conhecimento, um saber, um diálogo entre diversos setores e atores”, explica Norder, antes de concluir que a necessidade do uso múltiplo do conceito deve ser reconhecida.
“A agroecologia é o campo da diversidade e o debate deve ser conduzido com respeito ao outro, já que a controvérsia é parte inexorável da construção deste conhecimento”, finalizou o professor.