
Recolher as embalagens de agrotóxicos é uma ação importante, que não depende apenas de uma legislação bem feita, mas também de ação da sociedade no cumprimento dessas normas. Com isso, a forma como a população e principalmente os fabricantes de agrotóxicos e o governo se organizaram nos últimos anos, por meio de um regulamento específico, contribuiu para o sucesso que temos hoje, com quase 90% das embalagens de agrotóxicos recolhidas. Esse processo contribui para evitar que o plástico degrade o meio ambiente, já que os produtos não são enterrados, mas reciclados, o que garante retorno econômico e produtos seguros para a população.
Cada parte envolvida tem as suas responsabilidades. Cabe ao governo regular e fiscalizar, por meio dos Ministérios da Agricultura, Meio Ambiente e Saúde as ações dos responsáveis econômicos - fabricante, comerciante e usuário desses produtos - e sua atuação na cadeia produtiva. O agricultor deve ter o compromisso de devolver as embalagens no local e prazo estabelecidos pela rede comercial, para que possam ser reutilizadas.
O Ministério da Agricultura orienta o uso de suplementos com menor toxidade e adota procedimentos para evitar impacto ao meio ambiente. Reuniões e seminários são promovidos para debater o uso sustentável e racional desse tipo de produto na agricultura. Hoje, a fiscalização de embalagens de agrotóxicos está muito avançada nos estados de Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Paraná.
Cabe ao Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV) monitorar e transportar as embalagens para as usinas de reciclagem localizadas, em grande parte, no estado de São Paulo. Por serem fabricadas com polímero (material plástico) de alta densidade, resistente a abrasivos, a tendência é de reaproveitar essas embalagens.
Em alguns casos, a reciclagem pode levar à industrialização de conduítes corrugados (tubos que suportam a fiação elétrica em construções) e ser usada como economizador de material, quando embutida em blocos de concreto. É importante que esses produtos não sejam empregados em materiais, que fiquem em contato direto com os seres humanos, porque representam risco de saúde associado. Por isso, o cuidado de recomendar onde esses subprodutos podem ser usados após o reprocessamento.
Nos próximos anos, a expectativa do Ministério da Agricultura é de estender essa forma de aproveitamento de embalagens para outros insumos agrícolas, como fertilizantes e sementes, que também produzem resíduos sólidos. O governo já realiza estudos para combinar economicidade e processos de preservação do ambiente na destinação dessas embalagens.