Agrotóxicos passam a ser fiscalizados por equipe do Mapa

Equipamento de alta tecnologia é adquirido por laboratório agropecuário e pode evitar a contaminação por alimentos

Breno Fonseca
Máquinas e Implementos

Os resíduos de substâncias ilegais em alimentos poderão ser identificados por um espectômetro de massas com detector Time of Flight (TOF), do modelo Synapt HDMS, a partir do mês de outubro. Adquirido pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), em Pedro Leopoldo (MG), através de um projeto de cooperação técnica entre o Brasil e a União Europeia, o equipamento será utilizado com metodologias validadas para o controle de contaminantes, objetivando que os produtos brasileiros tenham maior inserção no mercado internacional.

O investimento para importar o espectômetro para Minas Gerais foi de 557 mil euros, segundo a coordenadora técnica do Lanagro, Eugênia Vargas. O aparelho ocupa o espaço de monitoramento de agrotóxicos que não estejam na pauta da agricultura atual, mas que, mesmo assim, estão sendo usados pelo Brasil sem registro. É exatamente essa a função do espectômetro: permitir a triagem de substâncias utilizadas ilegalmente ou desconhecidas do produtor, permitindo o acesso rápido a esse tipo de informação.

Eugênia Vargas explica que a equipe do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) será treinada para a recepção e análise das amostras e para a emissão dos resultados oficiais. Apesar de outras instituições, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), já terem obtido um espectômetro, esta é a primeira versão desta natureza no Brasil. O princípio do aparelho está no emprego de uma biblioteca com base em massa exata, onde se permite monitorar mesmo sem um padrão de referência do Mapa. O fiscal do Ministério vai a campo, faz a coleta, a mostra é processada e injetada no equipamento. Por fim, uma curva de calibração quantifica o agrotóxico.

A coordenadora do Lanagro comenta que, a curto prazo, o equipamento não traz nenhum resultado. Porém, depois de um tempo, será possível evitar a contaminação, a exportação e a consequente rejeição dos mais variados produtos.

— A grande importância desse equipamento é que a gente está trabalhando na fronteira da tecnologia. São equipamentos de última geração. Isso nos dá a possibilidade de termos núcleo de pesquisa e de validação de métodos trabalhando com prospecções futuras, seja por mudanças climáticas, seja porque existem novos agrotóxicos sendo produzidos e que o Brasil ainda não dispõe de um perfil ainda bem sedimentado. Então, vamos estar abrindo possibilidade de identificação não só para os agrotóxicos, mas, por exemplo, para os resíduos de medicamentos veterinários.