A pesquisa teve início na década de 40. E, nos últimos anos, ganhou maior interesse por conta da preocupação com meio ambiente e sustentabilidade. Os agentes polinizadores prestam importante serviço à produção rural, ajudando cerca de 80 a 85% de plantas nativas a se reproduzirem. Entre pássaros, morcegos e outros insetos, as abelhas chamam a atenção pois representam 70% dos agentes e, dependendo do grau de toxicidade, apenas 81 nanogramas de pesticida são suficientes para matar uma abelha.
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Participante de um grupo de pesquisa desde os anos 70, Roberta Cornélio Ferreira Nocelli, professora do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) em Araras, alerta que a aplicação dos inseticidas nas propriedades deve obedecer rigorosamente às quantidades especificadas nos rótulos dos produtos. Caso contrário, ao invés de atingir somente as pragas, o agricultor será responsável pela morte de insetos benéficos. Ela destaca que os agrotóxicos interferem na capacidade de vôo, pouso, coleta de alimentos e de reconhecimento das flores, além de alterar as funções intestinais e cerebrais das abelhas.
— O produtor não deve fazer as aplicações na época da florada e nem nos horários de maior visitação dos agentes, entre as 10h e 16h. O ideal é pulverizar bem no início da manhã ou da noite. Temos consciência de que, em algumas situações, não tem como fugir dos agrotóxicos. Porém, muitos programas preventivos são desnecessários quando não há sinal de pragas. Já os apicultores podem fazer acordos com os proprietários rurais vizinhos para que saibam quando serão realizadas as aplicações e protejam as colméias — salienta Roberta Nocelli.
De acordo com a pesquisadora, um novo projeto terá início em janeiro de 2011 no intuito de levantar acidentes em todo o território nacional. Atualmente, esse tipo de registro só é feito no Estado de São Paulo, onde a mortalidade de abelhas ocorre em grande escala. Entre os pesticidas mais vendidos no mercado estão Imidaclopride, Sipronil, Tiametoxam e Acetamiprida e entre reguladores de crescimento, o Piriproxifen. É com esses tipos que a professora tem realizado pesquisas, o que serve de alarme aos agricultores.
— A população conhece uma abelha que não é brasileira, que provoca acidentes porque tem ferrão e produz veneno. Apesar de sua importância, a população a enxerga como uma praga. Quando encontram um enxame, colocam fogo. Poucas pessoas sabem que temos milhares de espécies de abelhas brasileiras, sendo que a maioria não tem ferrão e estão desaparecendo por conta de fatores como perda de habitat e os próprios fungicidas. Somos o país com maior número de espécies no mundo, que são de extrema importância para a manutenção das nossas matas e para a segurança alimentar — completa Roberta.
Para maiores informações, basta entrar em contato com o Centro de Ciências Agrárias (CCA) da UFSCAR pelo telefone (19) 3543-2595.
