A produção orgânica de alimentos tem crescido cada vez mais, principalmente devido à grande procura. Entre os diversos tipos de culturas está o algodão orgânico que, apesar da menor produtividade, custa até 60% mais que o algodão convencional. De acordo com o pesquisador da Embrapa Algodão Fábio Albuquerque, o ideal é trabalhar o algodão associado a outras culturas alimentares.
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– Ao realizar diversas culturas dentro de uma mesma área, de certo modo, o produtor já está realizando o manejo contra algumas pragas que podem atacar a cultura do algodão e outras culturas. Além disso, a rotação de culturas também é indicada – afirma o pesquisador.
Apesar dos cuidados, algumas vezes o agricultor precisa interceder, principalmente quando se trata da praga conhecida como bicudo, um dos grandes inimigos da cotonicultura.
– Mas os produtores devem ter em mente que não devem somente aplicar produtos no caso da ocorrência de pragas. Ele precisa trabalhar o manejo da cultura desde o planejamento do plantio até a colheita. Nessa cultura, ele precisa se antecipar. A cultura orgânica demanda mais técnica que a convencional. Portanto, é importante que o produtor procure se inteirar, principalmente com outros agricultores – explica Fábio.
Além disso, na cotonicultura, há todo o envolvimento da família, desde o plantio até a comercialização, o produtor não utiliza agrotóxicos ou fertilizantes sintéticos, e o preparo da terra deve seguir todos os conceitos agroecológicos.
– Como fertilizantes, utilizamos os orgânicos, feitos de insumos já existentes na propriedade, como plantas leguminosas, esterco de caprinos ou ovinos e biofertilizantes – diz Albuquerque.
Os benefícios para o produtor são muitos. Abrangem desde o envolvimento da família no processo produtivo e o não uso de produtos para controle de pragas e manejo de plantas daninhas até o preço diferenciado, muito mais alto que o preço do algodão convencional. Já a produtividade é um pouco menor, como explica o pesquisador.
– Segundo nossa experiência com agricultores da região aqui do semi-árido, alguns deles têm conseguido produzir até 1000 quilos de algodão por hectare. Já outros, produzem de 200 a 300 quilos. Hoje, aproximadamente 70% dos agricultores estão na faixa de produção de 300 a 400 quilos de algodão por hectare. Os agricultores mais eficientes, do ponto de vista do uso da terra, conseguem melhores produções. Por outro lado, a baixa produção acaba sendo compensada pelo fator do preço, que pode chegar a até 3x do valor do convencional – diz.
Existe ainda um zoneamento de risco climático, divulgado pelo Ministério da Agricultura, que aponta em quais regiões do Brasil essa cultura pode ser implantadas. Mas, segundo o pesquisador, o produtor também deve estar atento a quem vai comprar o algodão, já que um dos grandes problemas atuais é a comercialização dos orgânicos.
– O orgânico é ainda mais complicado, pois o produtor que não tiver seu produto registrado no Ministério da Agricultura, não pode comercializá-lo como orgânico – afirma.
Para mais informações sobre a produção do algodão orgânico, basta entrar em contato com a Embrapa Algodão através do número (83) 3182-4300.

Reportagem exclusiva originalmente publicada em 30/03/2011