Algodão piauiense mais produtivo e com alto teor de óleo

BRS 335 e BRS 336 apresentam produtividade em torno de 4,5 mil quilos por hectare e teor de óleo de 28%

Kamila Pitombeira
Manejo

Treze cultivares de algodão herbáceo desenvolvidas pela Embrapa estão sendo indicadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para a safra 2011-2012, no Piauí. Essas cultivares são recomendadas para todo o Estado do Piauí, embora o algodão herbáceo só venha sendo  plantado nos 28 municípios que formam os Cerrados do Estado. Entre as cultivares, se destacam as variedades BRS 335 e BRS 336, que foram lançadas em junho desse ano e contam com melhor produtividade, em torno de 4,5 mil quilos por hectare e maior teor de óleo no caroço, aproximadamente 28%.

Segundo José Lopes Ribeiro, pesquisador da Embrapa Meio-Norte, as cultivares de fibra colorida são mais indicadas para a região do Semi-árido e produzem entre 2 mil e 3 mil quilos por hectare. Já as de fibra branca, são recomendadas para a região do Cerrado pela produtividade mais elevada, em torno de 4 mil quilos por hectare de algodão em caroço.

— As cultivares foram testadas por, no mínimo, três anos e em junho, foram lançadas duas variedades: a BRS 335 e a BRS 336. Elas apresentam produtividade maior que as demais variedades lançadas no ano passado, ou seja, a BRS 335, por exemplo, apresenta produtividade entre 4,5 mil e 4,7 mil quilos por hectare — afirma o pesquisador.

Outro ponto positivo é o teor de óleo na semente. De acordo com Ribeiro, teor de óleo no caroço do algodão girava em torno de 20% nas cultivares mais antigas. Já as últimas cultivares lançadas, apresentam índice em torno de 28%.

— O óleo do algodão pode ser utilizado para a alimentação humana, como óleo de cozinha, ou ainda para a produção de biodiesel. Portanto, quanto maior o teor de óleo na semente, melhor é a produção — diz.

Ele explica que, no Piauí, o período de semeadura do algodão é amplo, começando em novembro e terminando no final de dezembro. Portanto, o recomendado é que os produtores plantem primeiro as cultivares de ciclo mais tardio, deixando as precoces para o período final.

— Já no Estado do Maranhão, existem duas épocas de plantio. A primeira é a mesma do Piauí, de novembro a dezembro, e corresponde ao sul do estado. No leste maranhense, o cultivo do algodão começa em janeiro e vai até fevereiro — conta.

Já quando o assunto é o cuidado com a cultura, o pesquisador cita as pragas. Isso porque a cultura do algodoeiro conta com o ataque de muitas pragas desde a época de plantio até a colheita. A principal delas é o pulgão, inseto sugador que ataca as folhas.

— Nesse caso, o produtor deve fazer uma amostragem na lavoura e quando o nível de infestação atingir 5%, realizar a pulverização. O bicudo também é uma praga preocupante e surge no início da floração. Existem ainda outras pragas, como a lagarta curuquerê que deixa o algodão praticamente sem folhas — afirma.

Além da preocupação com as pragas, para Ribeiro, o produtor deve ainda investir em uma boa adubação com base em uma análise de solo adequada, evitando assim a utilização de adubo em excesso, o que pode gerar prejuízos.

Para mais informações, basta entrar em contato com a Embrapa Meio-Norte através do número (86) 3089-9100.