O pasto supre boa parte das necessidades do animal de outubro a final de abril, mas depois desse período, o produtor começa a lidar com a escassez. Para evitar a perda de peso do gado, é preciso contornar a situação com comida no cocho e volumosos, que podem ser a cana-de-açúcar, silagem ou feno. O planejamento forrageiro, a divisão por categorias e a exigência específica para o período de inverno podem garantir o peso do rebanho e o consequente lucro do produtor.
— A perda de peso do gado está relacionada à qualidade da sua alimentação e à questão sanitária, mas vemos em muitos lugares animais perdendo até mais de 80 kg no período de inverno — afirma José Lançanova, pesquisador do Iapar.
As precipitações e as temperaturas próximas da média neste outono têm sido boas para o produtor de leite e carne, mesmo assim é preciso suplementar a alimentação do gado, para atenuar a queda da produtividade.
— Nesse período o pasto fica ralo e falta comida para o gado pela própria redução da produção da forragem de verão. O uso da pastagem de verão se restringe de setembro e outubro até meados de abril e maio. A partir daí, é preciso ter uma alimentação suplementar — explica o pesquisador.
Em relação à escolha do tipo de suplemento, ele diz que o produtor deve levar em consideração o animal e o tipo de produção.
— O gado de leite é muito mais sensível, pois dele se extrai um produto. Para a produção de leite é necessário uma quantidade maior de ração e uma silagem para fazer o balanceamento da dieta Basicamente, temos silagens de milho e sorgo no inverno, que são as mais usadas, além da cana-de-açúcar e do feno. Isso se aplica a praticamente todo o Brasil, com limitações em relação à seca em alguns locais — diz.

Segundo ele, como o objetivo é não perder peso, o produtor deve manter um volumoso e uma pequena suplementação proteica, o que pode ser feito com nitrogênio não proteico na forma de ureia e uma pequena quantidade de milho. As quantidades variam de acordo com o objetivo do produtor e é preciso um período de adaptação.
Quando chegam os períodos frios, o produtor já deve ter a cana estabelecida ou a silagem pronta. É preciso fazer um planejamento da necessidade de alimento ao longo do ano.
Em relação às diferenças de regiões, Lançanova acredita que a cana é uma boa opção para o norte e noroeste, em virtude da presença de usinas e canaviais. Segundo ele, é preciso acrescentar ureia e sulfato de amônia para elevar o teor de nitrogênio na cana.
— Ela tem apenas 2% de proteína. Quando colocamos esses outros componentes, você elevamos esse nutriente para 7% — explica.
No centro-sul é possível ter pastagens no inverno, como aveia e azevém. Ainda assim, não é possível dispensar a suplementação.
— A aveia tem 15% em média de matéria seca e muita água. É preciso dar um volumoso e complementar com horas de pastejo, o que varia de acordo com a disponibilidade de alimento — esclarece.
Ainda de acordo com o pesquisador, o período mais indicado para trabalhar com a suplementação gira em torno de 180 dias.
— É preciso fazer um planejamento também do que será gasto com alimento concentrado, seja ração, farelo de soja, farelo de trigo, casquinha de soja, caroço de algodão, sempre levando em consideração o que se pode fornecer para cada animal — orienta.