Alta expectativa na produção de biodiesel no semiárido

Mamona e gergelim tem bom teor de óleo, não requerem muitos cuidados fitossanitários, mas ainda precisam vencer alguns desafios

Juliana Royo
Agricultura Sustentável

A mamona e o gergelim são duas culturas promissoras para a agroenergia brasileira e são muito fortes no semiárido. Elas têm alto teor de óleo de qualidade, produtividade média de 750 quilos por hectare, são fáceis de manejar e não exigem muitos cuidados fitossanitários, principalmente a mamona, que tem grande destaque no programa federal de biodiesel. A produção brasileira está acima da média mundial, porém poderia ser muito maior se os produtores adotassem mais tecnologia. A escolha de cultivares mais produtivas, o uso de sementes de boa qualidade e espaçamento adequado são algumas medidas que precisam ser tomadas e podem elevar a produção para o patamar dos 1.200 quilos por hectare.

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— Temos que melhorar a associação de produtores em cooperativas e já ter a definição de mercado porque o mercado é importante no contexto global de qualquer sistema de produção. Tem um trabalho de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco, que mostra que a partir de 1 mil quilos por hectare de mamona no semiárido, ela é mais competitiva do que a soja, o que é uma ótima alternativa para os pequenos e médios produtores da região. Hoje, a Bahia tem a maior produção e maior área plantada com cerca de 70 mil hectares, seguido pelo Estado do Ceará que tem cerca de 40 mil hectares, segundo o IBGE — comenta o pesquisador Napoleão Beltrão, chefe-geral da Embrapa Algodão.
 
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos produtores é a falta de constância das chuvas. Elas não são bem distribuídas e causam transtornos tanto pela falta de água quanto pelo excesso. A dificuldade hídrica dificulta muito que os produtores consigam atingir as altas produtividades encontradas pela pesquisa. Por isso, é ainda mais importante que o manejo correto das culturas seja seguido. Os agricultores devem consultar o zoneamento agroclimático para a sua região junto ao Ministério da Agricultura. Geralmente, a mamona é plantada no início das chuvas, em novembro na Bahia e janeiro ou fevereiro no sertão da Paraíba.

O uso de variedades produtivas é importante. A cultivar de mamona mais plantada atualmente é a Nordestina, que tem bom potencial. Outras opções são a Energia, que é uma variedade nova da Embrapa de porte baixo, ciclo de 100 a 120 dias e teor de óleo elebado em torno de 49%. O pesquisador sugere também a variedade Paraguaçú, que é um material de ciclo médio de até 200 dias e pode ficar produzindo até três anos depois de podada, sendo que os anos após a poda são os de melhor produção. O Instituto Agronômico de Campinas também tem boas variedades produtivas como a  IAC 80 e a IAC 226. Já para a produção de gergelim, existem várias opções de variedades internacionais como a Venezuela 51 e 52. A Embrapa tem uma cultivar recente que é a BRS Seda, com semente branca, ciclo rápido de cerca de 87 dias, produtividade em torno de 750 quilos por hectare e teor de óleo acima de 55%.

— O importante é o agricultor usar uma semente de qualidade genética, pureza varietal e alto valor cultural ao invés de usar os tipos locais misturados porque a mamona cruza com uma variedade muito grande. No caso do gergelim, ainda temos condições de crescer muito porque é uma cultura de baixo custo, excelente óleo, pode ser associada à mamona ou ao algodão. Em consórcio, ele deve ser plantado 20 dias após a mamona. Temos produtores na região, vendendo gergelim orgânico para a Europa a R$4,50 o quilo, acima de dois dólares. O custo de produção não é maior do que R$ 300 por hectare. Com um pouquinho mais de tecnologia, os produtores podem chegar a conseguir até 1.200 quilos por hectare — ressalta Beltrão.