Os produtores nordestinos ganharam mais quatro opções de cultivo de amendoim no semiárido. A Embrapa Algodão desenvolveu três novas variedades de ciclo curto e com alta produtividade para o mercado de alimentos e confeitaria e está lançando para o início do ano que vem uma cultivar de película totalmente branca para a indústria oleoquímica.
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As três variedades de ciclo curto são a BR1 com ciclo de 89 dias, a BRS 157 com ciclo de 87 dias e a BRS Havana com ciclo de 90 dias. A grande vantagem do menor período de cultivo é que o produtor pode se planejar para fazer mais de dois cultivos ao ano, aumentando a rentabilidade. Além disso, os materiais são resistentes a doenças foliares, o que barateia o custo de produção, já que não é necessária a aplicação de defensivos para essa finalidade. Porém, assim como todas as outras cultivares de amendoim nacional, elas são suscetíveis aos ataques de pragas.
ABR1 e a BRS 157 tem a película vermelha, mais tradicional, e são voltadas para o mercado de alimentos. Ambas têm entre 45% e 46% de óleo nas sementes. Já a BRS Havana tem a película creme e é destinada ao mercado de confeitaria para a produção, por exemplo, de doces como pé-de-moleque e paçoca. Ela tem o teor de óleo mais baixo, com 43%. Todas foram desenvolvidas para serem plantadas em diferentes regiões do Nordeste como a Zona da Mata e o Sertão e são especialmente indicadas para os Estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Bahia e Ceará.
— Pesquisamos as produções no Nordeste brasileiro onde você pode ter situações como na zona da mata com 2 mm de chuva ou numa região do sertão que pode ter apenas 300 mm ao ano, o que é uma diferença muito grande. A média produtiva destas variedades gira em torno de 1.800 quilos por hectare. São materiais produtivos com uma estabilidade muito alta às condições do nordeste brasileiro. Recentemente o Mapa divulgou a portaria com o zoneamento agrícola que inclui estas variedades — avisa a pesquisadora Roseane Cavalcanti, da Embrapa Algodão.

Para que a produtividade ideal seja atingida e os produtores tenham uma boa rentabilidade é necessário tomar alguns cuidados de manejo. A pesquisadora diz que os amendoins desenvolvidos podem ser cultivados em qualquer tipo de solo, mas é melhor que seja um solo franco-arenoso. Ou seja, que tenha quantidade suficiente de areia e de argila. Quanto mais argiloso e resistente for o solo maior dificuldade com a colheita o produtor vai ter. Outro aspecto que Roseane chama atenção é para a colheita no ponto certo, que é muito importante. Ela diz que se os agricultores não retirarem o material do campo na hora que devem o amendoim vai acabar germinando naturalmente com o excesso de umidade.
— A grande vantagem destas variedades de ciclo curto é que o produtor pode se planejar para fazer mais de dois cultivos ao ano, basta que ele tenha um bom gerenciamento na sua atividade agrícola. Ele tem que se ajustar de acordo com o estabelecimento de chuvas da região. Geralmente, o que a gente recomenda é que o plantio seja feito logo no início da estação chuvosa para evitar problemas de grande umidade nas sementes e possíveis problemas com fungos na produção — recomenda Roseane.
Amendoim branco
Outra novidade para os produtores do semiárido é o lançamento de uma cultivar de amendoim de película totalmente branca. Ela foi especialmente desenvolvida para a indústria oleoquímica, é uma cultivar rasteira e tem teor de óleo elevado entre 50% a 52% na semente. A BRS Branco também tem boa produtividade, mas o ciclo é um pouco mais longo do que os outros três lançamentos. Ela fica 110 dias no campo. A variedade é destinada ao mercado de óleos comestíveis, cosméticos ou para a produção de biocombustíveis. A BRS Branco ainda não está disponível para os produtores, mas deve chegar ao mercado no início do ano que vem.