Amendoim forrageiro: alternativa para consórcio em pastagens

Leguminosa fixa nitrogênio no solo, alimenta ruminantes, faz cobertura de solos de plantios perenes e revegetação de rodovias

Juliana Royo
Manejo

O amendoim forrageiro é uma leguminosa nativa do Brasil. Ele é capaz de fazer associação com bactérias que tem grande poder de fixar o nitrogênio atmosférico no solo e torná-lo disponível para as plantas. O nitrogênio faz parte da composição de proteínas, o que faz com que a dieta oferecida a animais tanto de corte quanto de leite fique mais rica e ajude a melhorar a produtividade do rebanho. O amendoim forrageiro pode ser usado diretamente na nutrição dos animais ou em consórcio de pastagens com gramíneas como a braquiária. Além de fazer com que a gramínea fique mais rica em nitrogênio, o amendoim forrageiro melhora as características físicas do solo com boa oferta de matéria orgânica.

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— Além da utilização nas pastagens, o amendoim forrageiro vem sendo utilizado na cobertura de solos de plantios perenes, como ornamental em praças e jardins de diversas cidades do Brasil e também vem sendo utilizado na revegetação de margens de rodovias. A principal espécie e a mais utilizada para a alimentação animal é a arachis pintoi. Nós temos algumas cultivares desta espécie que já são utilizadas como a cultivar Belmonte, a Amarilo e a cultivar Alqueire. Infelizmente, a cultivar Belomonte, apesar de ser a mais utilizada, produz pouca semente então a disponibilidade dela para o produtor fica um pouco restrita — explica a pesquisadora Giselle Lessa, da Embrapa Acre, que é a coordenadora do programa de melhoramento genético de amendoim forrageiro.

Giselle diz que o amendoim forrageiro em sistemas puros tem produtividade média de 15 a 20 toneladas por hectare de matéria seca por ano, o que é um bom índice. Ela diz que a Embrapa Acre está trabalhando com programas de hibridação para desenvolver cultivares mais produtivas e que tenham alto valor nutritivo em suas sementes, mas não pode divulgar ainda exatamente que material está sendo melhorado e quais serão as características das novas cultivares. Segundo a pesquisadora, as perspectivas da cultura são muito boas porque ela tem utilização relativamente recente e apresenta poucas cultivares que sofreram melhoramento genético genético, então é possível explorar os materiais.

— A Embrapa Acre é a responsável pela curadoria do banco ativo de germoplasma do amendoim forrageiro, portanto ela é responsável pela conservação, introdução e coleta de novos acessos, pela caracterização e avaliação destes materiais que estão no banco, assim como toda a documentação e disponibilização destas características para o meio científico. Atualmente nós temos 120 acesso, a maior parte deles pertencem à espécie arachis pintoi e diversos híbridos tanto intra quanto interespecíficos. Esta espécie tem se mostrado uma das principais para ser utilizada em sistemas consorciados porque é uma leguminosa que realmente persiste dentro do sistema de pastagem consorciada — ressalta Giselle, que foi uma das palestrantes do I Congresso Brasileiro de Recursos Genéticos, que aconteceu de 8 a 11 de junho, em Salvador.