Análise das relações de troca entre o feijão e seus principais insumos

Estudo da Embrapa Arroz e Feijão analisa a evolução das relações de troca entre o feijão e os insumos necessários para sua produção.

Redação
Gestão

Em um estudo da Embrapa Arroz e Feijão, buscou-se analisar a evolução das relações de troca entre o feijão e os insumos necessários para sua produção. Os insumos foram escolhidos por sua significativa participação no custo de produção de feijão e por haver informações confiáveis sobre a evolução de seus preços. Com base nisso, o estudo considerou o cloreto de potássio, a uréia, a semente de feijão e o trator de 70 a 80 cavalos para a análise.
 
Já os dados de preços pagos para a aquisição dos insumos citados e o preço recebido pelo produtor de feijão foram levantados junto ao Instituto de Economia Agrícola (IEA). O período abarcado pela pesquisa vai de janeiro de 1980 a maio de 2008, com exceção do insumo semente de feijão e trator, que há dados somente a partir de agosto de 1989 e janeiro de 1994.
 
Em janeiro de 1980, era possível comprar uma tonelada de cloreto de potássio com 8,08 sacas de 60 quilos de feijão; já, em janeiro de 2000, foram necessárias 12,83 sacas; e, em janeiro de 2007, 15,63 sacas de 60 quilos de feijão, uma variação de 58,7% e 21,82%, respectivamente.
 
A linha de tendência para a relação de troca entre uréia e feijão também é crescente, porém, cresce menos do que a de cloreto de potássio e feijão. Em janeiro de 1980, podia-se comprar uma tonelada de uréia com 10,50 sacas de 60 quilos de feijão; já, em janeiro de 2000, foram necessárias 9,96 sacas de 60 quilos de feijão, enquanto que, em janeiro de 2007, foram necessárias 18,40 sacas de 60 quilos de feijão, uma variação de -5,14% e 84,73%, respectivamente.
 
O insumo semente de feijão é o único que tem uma tendência decrescente, todavia possui um impacto relativamente menor no custo de produção. Em setembro de 1989, era possível comprar um quilo de semente de feijão com 3,73 quilos de feijão; em setembro de 2000, comprava-se um quilo de semente de feijão com 1,38 quilo de feijão; e, em dezembro de 2007, comprava-se um quilo de semente de feijão com 970 gramas de feijão.
 
No que diz respeito ao trator de 70 a 80 cavalos, a tendência encontrada é crescente, corroborando o encarecimento deste insumo em relação à evolução do preço do feijão.
 
Em junho de 1998, podia-se comprar um trator de 70 a 80 cavalos por 374,50 sacas de 60 quilos de feijão, sendo esta a menor relação de troca encontrada. Todavia, em agosto de 2006, comprava-se o mesmo insumo por 1.582,97 sacas de 60 quilos de feijão, sendo esta a maior relação encontrada. Em 2008, a relação era de 697,67 sacas de 60 quilos de feijão por trator. Uma variação de 322,68%, de junho de 1998 a agosto de 2006, e -55,92% de agosto de 2006 a maio de 2008.