Análise proteômica de raízes do algodoeiro infectadas por nematóides das galhas

Os resultados demostraram a presença de várias proteínas com diferentes níveis de expressão entre os genótipos suscetíveis e resistentes

Margareth Santos
Pragas

A posição do Brasil na produção mundial de algodão tem sido dificultada por constantes perdas de produção ocasionadas pelos ataques de pragas, como a  Meloidogyne incognita – nematóide das galhas. Novas alternativas para o controle desse fitopatógeno têm sido desenvolvidas, incluindo a tecnologia proteômica. Com o intuito de identificar as proteínas relacionadas aos mecanismos de resistência do algodão, um estudo proteômico comparativo das raízes de genótipos suscetíveis e resistentes ao nematóide foi efetuado.

Os resultados demostraram a presença de várias proteínas com diferentes níveis de expressão entre os genótipos suscetíveis e resistentes. A análise dos spots diferenciais, via espectrometria de massa, demostrou a presença da quinona redutase 2 – uma enzima ativada em situações de estresse oxidativo. O processo se deu por meio de eletroforese bidimensional (2-DE) e os genótipos foram analisados nos períodos de cinco a 15 dias após a inoculação de juvenis de segundo estágio (J2) do fitopatógeno.

Os juvenis infectam as raízes, formando pequenas galhas, necroses, desvios de nutrientes, que causam a atrofia geral das plantas. Na parte aérea, o parasita induz a formação do “carijó” - clorose internerval – nas folhas, reduzindo sensivelmente a capacidade produtiva do algodoeiro, sobretudo se o sintoma ocorrer também nos ponteiros das plantas. No estudo, plantas com cerca de dois meses foram infectadas com 20 mil J2 e, após cinco e 15 dias, suas raízes foram coletadas. Ao final, três diferentes métodos de preparação de amostras protéicas para a eletroforese bidimensional foram testadas.

Para controlar a ação do nematóide, a tecnologia proteômica pretende analisar a expressão das proteínas em larga escala. No entanto, uma das dificuldades encontradas diz respeito à presença de grande quantidade de polímeros – gossipol – que interfere na separação das proteínas por focalização isoelétrica. A baixa concentração de proteínas presentes em raízes, quando comparadas a outros tecidos da planta, como folhas e sementes, também interfere no processo.


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