O efeito prejudicial da multiplicidade de projetos para a análise de resíduos em culturas com suporte fitossanitário insuficiente (minor crops) foi um dos assuntos debatidos durante a 53ª reunião da Câmara Temática de Insumos Agropecuários - CTIA, realizada nesta segunda-feira (09) no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA). O coordenador geral de Agrotóxicos e Afins do MAPA, Luiz Rangel, defendeu a formulação de um modelo nacional a ser adotado em todo o País e afirmou que o ministério trabalha nessa direção.
O diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal - Andef, Eduardo Daher, fez um apelo para uma maior agilidade na certificação e o registro de novos ingredientes ativos de defensivos agrícolas. Daher também lembrou as dificuldades que os produtores enfrentam com a multiplicidade de projetos para controle e destacou os efeitos negativos para os médios e pequenos produtores dessas culturas e também para a sociedade em geral.
'É premente tirarmos o produtor da condição de vilão. Não é uma questão de resíduo, mas de deixar o produtor no meio do deserto sem o registro de seus produtos. O grupo da mandioca evoluiu e já conseguimos resolver. Mas temos diversas culturas sem registro e que continuam na berlinda da lista das inconformidades nas análises de resíduos', disse Daher.
Luiz Rangel destacou a existência de pelo menos cinco projetos para a análise de resíduos: um desenvolvido no MAPA, outro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e outros em Pernambuco, Minas Gerais e Espírito Santo, fora outros estados que estão querendo estabelecer um modelo próprio. 'O MAPA trabalha em um projeto nacional para análise de resíduo. Estamos avançando o diálogo com o Ministério Público para a construção de um termo de ajuste e conduta para podermos controlar essa análise no país e racionalizar o processo', explicou Rangel.
Durante o debate, o diretor executivo da Andef solicitou ao Ministério que fizesse divulgação mais abrangente da pesquisa, realizada conjuntamente com a Ceagesp, sobre rastreabilidade e uso de defensivos em frutas e hortaliças. Esta, segundo Eduardo Daher, tem maior credibilidade do que as demais estatísticas divulgadas amplamente na imprensa. 'O trabalho de divulgação de certas pesquisas prejudica não somente aos agricultores como também toda a sociedade, que passa a tende o assumir o receio de consumir esses importantes alimentos.'
Novo presidente na CTIA
No final da manhã, antes de encerrar a primeira parte dos trabalhos, o presidente da Câmara Temática de Insumos Agropecuários por sete anos, engenheiro agrônomo Cristiano Simon, consultor da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), passou o cargo para o também engenheiro agrônomo Luiz Antonio Pinazza, diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).
Cristiano Simon agradeceu a contribuição dos companheiros e afirmou estar apenas mudando de função, já que passa a ocupar o cargo de consultor especial da Câmara. Simon disse que se orgulha pelos sete anos que esteve na CTIA e brincou com os colegas ao afirmar que 'sobreviveu a quatro ministros'. Eleito, Pinazza afirmou que assumir a presidência da CTIA é um desafio e pode ser um risco continuar a gestão que chegou ao topo, com grande êxito.