Aparelho de GPS torna pesca mais rápida e precisa

Tecnologia que substitui o método visual de identificação promove redução de custos e do tempo de deslocamento até pesqueiros

Pedro Zuazo
Manejo

O uso de aparelhos de GPS na pesca pode reduzir o tempo de navegação e tornar a atividade mais precisa. Em um projeto de extensão realizado com pescadores da Praia de Peroba, no município de Icapuí (CE), a ferramenta substituiu o método visual de identificação. Com isso, os pescadores puderam fazer o deslocamento até os pesqueiros em dias nublados, em condições de chuva e até mesmo durante a noite. Após a experiência, alguns produtores locais decidiram adotar a tecnologia e, com auxílio dos aparelhos mais baratos do mercado, perceberam vantajosos benefícios.

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O trabalho foi desenvolvido por alunos e professores do curso de engenharia de pesca da Universidade Federal Rural do Semiárido, UFERSA. De acordo com o professor Marcelo Augusto Bezerra, vice-coordenador do curso, o método visual ainda é muito utilizado por pescadores no Nordeste e em alguns pontos do Sul e Sudeste brasileiros.

— Na pesca artesanal, onde não há GPS, os pescadores obtêm as coordenadas através de informações da costa. Então eles observam pontos da terra e se deslocam até os pesqueiros, onde lançaram seus aparelhos de pesca. Na maioria das vezes, essa atividade fica comprometida durante a noite ou quando chove ou por qualquer eventualidade que prejudique a visibilidade da costa. Com o GPS, em qualquer momento, a qualquer hora e sob quaisquer circunstâncias o pescador consegue chegar ao pesqueiro com rapidez e precisão — explica o engenheiro de pesca.

GPS é a abreviação popular do Sistema de Posicionamento Global, também chamado Geo-Posicionamento por Satélite. Aparelhos com essa tecnologia já são utilizados na agricultura, para a orientação de tratores, e na pecuária, para o monitoramento de animais. O uso dessa ferramenta na pesca é simples e traz algumas facilidades para os produtores.

— Uma das vantagens é que eles podem colocar os viveiros de peixe sem a boia, sem a necessidade de realizar a observação visual do local onde foi instalado o aparelho de pesca. Os pescadores simplesmente colocam os dois aparelhos com o cabo amarrado entre eles. Com o GPS, eles têm as coordenadas geográficas das duas armadilhas. Como tem um cabo no meio, eles passam uma garateia, que é uma estrutura de ferro com um cabo na ponta, arrasta no fundo e traz esse cabo. Qual a vantagem? Não tem roubo de material do mar, o que reduz custos e o tempo de deslocamento — conta Bezerra.

Segundo o professor, os pescadores da Praia de Peroba não tiveram dificuldade de se adaptar à tecnologia. A ferramenta é acessível a produtores de qualquer região do país e de qualquer porte, já que o mercado oferece aparelhos que vão de R$250 a R$10 mil. A opção deve ser feita em função das características da atividade e da quantidade de dinheiro que o pescador está interessado em investir. Os aparelho mais caros têm mapas eletrônicos mais sofisticados e alguns são integrados com ecossondas e radares, normalmente utilizados na pesca de grande porte.