Aperfeiçoamento das técnicas de propagação precoce da seringueira

Iapar e Fundação Araucária apostam na redução do período de propagação da seringueira

Nivea Schunk
Manejo

O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e a Fundação Araucária pesquisam, desde o ano passado, mais uma vertente do segmento de borracha natural. Os esforços do engenheiro agrônomo Jomar da Paz Pereira e do técnico agrícola Paulo Rezende, que se dedicam ao aperfeiçoamento de técnicas, têm por objetivo a validação da propagação precoce da seringueira. A redução desse período, que tradicionalmente fica entre 12 e 18 meses, diminuiria consideravelmente os custos finais da muda e incentivaria a multiplicação dos seringais.

Os ensaios realizados ao longo do período transitório entre o verão e o inverno de 2009, utilizando garfagem herbácea durante a germinação e variados modos de enxertia, revelaram que é preciso refinar o controle da antracnose. O clima com dias quentes e noites frias propicia a proliferação do fungo, comprometendo severamente a evolução da brotação. Porém, Pereira está otimista quanto à segunda parte dos testes que começarão em outubro.

— Aparentemente, os resultados preliminares mostram a viabilidade desse processo. Principalmente a propagação de enxertia por garfagem herbácea, e isso já está contemplado dentro das normas que recentemente foram aprovadas para cultura da seringueira. De modo que resta apenas aperfeiçoar a tecnologia e tentar aplicá-la, porque a borracha está entre as matérias-primas mais importantes no cenário econômico. O Brasil ,que chegou a ser o maior exportador mundial de borracha na primeira metade do século passado, hoje precisa importar mais de 60% da matéria-prima que consome — revela Pereira.

Mesmo ainda não contemplando pequenas propriedades, a lucrativa atividade da extração da borracha, oriunda da Amazônia, já está disseminada pelas áreas de escape, como a zona da mata de Pernambuco, sudoeste do Maranhão, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e mais recentemente o Paraná. Os pesquisadores afirmam que menor índice pluviométrico e umidade diminuída desses novos ambientes favoreceram bastante a adaptação e desenvolvimento da espécie.

Economicamente, os benefícios do plantio de seringueiras são indiscutíveis. Além de permitirem a manipulação extrativa durante dez meses por ano, têm uma vida útil que varia de 35 a 40 anos. Somente essas características são suficientes para indicar o grande potencial econômico inserido no investimento para a realização desses experimentos, que viabilizarão o fomento da cultura dos seringais no território brasileiro.