Aplicação do carbofuran em diferentes formas e épocas para controle da broca do rizoma

Broca do rizoma é um grave problema dos bananais e seu combate é feito costumeiramente com a aplicação de inseticidas, como o carbofuran

Redação
Defensivos

Um grave problema dos bananais é a praga conhecida por broca do rizoma ou moleque da bananeira (Cosmopolites sordidus). O combate é feito costumeiramente com a aplicação de inseticidas do grupo dos carbamatos, como o carbofuran. A fim de avaliar os níveis residuais desse inseticida nos frutos da bananeira Prata Anã após a colheita, a Embrapa Agroindústria de Alimentos realizou um experimento levando em conta a aplicação do carbofuran em diferentes formas e épocas.

Para tanto, foi instalado um experimento com três tratamentos principais, mas com algumas variações dentro deles da seguinte maneira: 1.) 80 gramas por planta na cova de plantio; 2.) 80 gramas por planta diretamente no solo (1, 30, 60, 90 e 115 dias antes da colheita; 3.) 12 gramas por planta na muda desbastada (perfuração feita com o desbastador tipo “lourdinha”, 60, 90 e 115 dias antes da colheita).

O bananal de Prata Anã foi conduzido em área da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG/CTNM), na Colonização II do Projeto Gorutuba, no espaçamento três a 2,7 metros, sob irrigação por microaspersão. As amostras de banana foram coletadas no primeiro ciclo de produção, 120 dias após a emissão da inflorescência, sendo retiradas a segunda e penúltima penca de cada cacho ainda na planta, sem contato dos frutos com o solo.

Todas as amostras foram analisadas em laboratório utilizando equipamento de cromatografia gasosa de alta resolução com detector de nitrogênio-fósforo (CG-DNP).

Considerando o resultado das análises (casca e polpa) de todos os tratamentos efetuados no plantio, verificou-se que todas as amostras analisadas encontram-se dentro dos limites permitidos, ou seja, abaixo do Limite Máximo de Resíduo (LMR) recomendado pela Anvisa e pelo Codex Alimentarius (Codex, 2004) que é de 0,1 miligrama por quilograma  para carbofuran a matriz banana.

Observou-se, no entanto, que no tratamento 1, com aplicação de carbofuran no solo na cova de plantio, a concentração de resíduo foi ligeiramente superior aos demais tratamentos, apesar do inseticida ter sido aplicado durante o plantio, ou seja, há mais tempo que os demais.

Nas variações dos tratamentos 2 e 3, aplicação de 80 gramas por planta diretamente no solo aos 60, outra parcela aos 90 e em outra aos 115 dias antes da colheita e de 12 gramas por planta na muda desbastada aos 60, em outra parcela aos 90 e em outra aos 115 dias antes da colheita, observou-se que as concentrações residuais do inseticida foram aproximadamente da mesma ordem.

Nas variações do tratamento 2, foram seguidas as recomendações do fabricante, isto é, foi utilizada uma quantidade maior de agroquímico que nas variações do tratamento 3.

Isso evidencia que, em termos dos níveis de resíduo de agrotóxico, uma quantidade reduzida do inseticida (15% da quantidade prescrita pelo fabricante), quando aplicada na muda desbastada e não no solo, é equivalente aos tratamentos onde se usa quantidade mais elevada aplicada no solo. Este procedimento permite a diminuição dos custos para o produtor, além de oferecer menor risco de poluição do meio ambiente.

Isso confirma outros estudos presentes na literatura especializada. Adicionalmente, a aplicação do inseticida através de furos feitos com o desbastador “lourdinha” possibilita a passagem do produto da planta filha (desbastada) para a planta mãe. Este método de aplicação implica em não haver perdas do produto, tornando possível reduzir a dose em relação à aplicação via solo.