Apoio para agronegócio é quase dez vezes maior que para agricultura familiar

O consumidor tem informações limitadas sobre o processo de produção de alimentos

Embrapa Pantanal
Agricultura Familiar

O pesquisador Moacir Roberto Darolt, do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), disse nesta quinta-feira (18), em Corumbá, que a agricultura familiar recebeu investimentos de R$ 13 bilhões em 2008, contra R$ 100 bilhões destinados ao agronegócio no mesmo ano. A afirmação foi feita na palestra de abertura do 3º Seminário de Agroecologia de Mato Grosso do Sul, que termina nesta sexta-feira. O evento acontece no anfiteatro Salomão Baruki, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

Ele falou sobre a essência da agroecologia, destacando que é preciso formar pessoas que saibam trabalhar em equipe, tenham espírito crítico, visão sistêmica e conteúdo ético. Explicou que há várias correntes de agricultura de base ecológica, como a agricultura biodinâmica, a orgânica, a biológica, a natural, a ecológica, a regenerativa e a permacultura. Para representar todas elas, foram criados os termos agroecologia, agricultura alternativa e agricultura sustentável.

“A agroecologia surgiu como um movimento em comunidades eclesiais de base, envolvendo associações de produtores, pastorais da terra e MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra).”

Darolt falou também dos problemas causados pelo modelo convencional de produção, que vão desde a presença de resíduos de agrotóxicos em humanos e no ambiente até a construção de um sistema industrial que cria um rural sem agricultores.

Segundo ele, o consumidor tem informações limitadas sobre o processo de produção de alimentos. “Das dez principais causas de morte, quatro estão relacionadas à alimentação: doenças cardíacas, diabetes, câncer e derrame.”

O pesquisador comparou o sistema convencional e o agroecológico. O primeiro tem a visão no produto e gera resíduos. O segundo é baseado na diversificação e respeita o bem-estar animal, para ficar apenas em alguns items.

ESTUDOS

Darolt presidiu a comissão científica do último Congresso Brasileiro de Agroecologia, realizado em 2009 em Curitiba (PR). Segundo ele, foram apresentados 1.497 trabalhos, mas cerca de 30% foram rejeitados em função da qualidade.

Do total aceito, 426 (ou 29%) eram sobre produção vegetal, 145 (10%) sobre manejo de solo e água, 105 (7%) sobre aspectos socioculturais; 60 (4%) sobre produção animal, 61 (4%) sobre transição agroecológica, 67 (4%) sobre economia, 37% (2%) sobre políticas públicas, entre outros.

“Um dos maiores desafios para a agroecologia é a conservação e a regeneração de recursos naturais”, afirmou. Ele apresentou experiências de agroflorestas que deram certo. “É importante lembrar que na agroecologia, a família é o centro do sistema.”

A realização do seminário é da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados-MS), Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS), Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), Apoms (Associação de Produtores Orgânicos de Mato Grosso do Sul), Superintendência Federal de Agricultura - MS/Mapa,  UFMS – Campus do Pantanal, Prefeitura de Corumbá e Unisol - Brasil– Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários, Sebrae-MS. A Fundect-MS (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul) e o Crea-MS (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) apoiam o evento. (Ana Maio)