Dentre as cinco áreas temáticas do projeto AquaBrasil, a proposta de manejo e gestão ambiental de aquicultura é validar estratégias para otimizar os índices socioambientais e econômicos da atividade em território nacional. Desenvolvida por meio de observações em laboratório, conduzidas no centro da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), a iniciativa conta com experimentos de campo dirigidos à tilapicultura, realizados em uma base implantada na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA). Ao final dos estudos, será publicada uma cartilha para nortear as adequações necessárias ao sistema produtivo aquícola.
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A aquicultura destaca-se no cenário mundial como uma saída para suprir principalmente uma lacuna entre o crescimento da demanda pelo pescado e a redução na captura da pesca. No cenário brasileiro, o segmento se destaca pelo cultivo de peixes confinados em viveiros. A criação de camarão no Nordeste, apesar de ter passado por alguns entraves, é expressiva e já está consolidada. Com a infinidade de espécies para desenvolvimento da aquicultura no país, o Brasil tem grande chances de ocupar o lugar de destaque muito em breve
— Nós estamos montando estruturas laboratoriais com total controle dos parâmetros testados. E determinadas linhagens de tilápias estão sendo testadas quanto à adaptação regional. Já temos informações sobre melhor densidade de estocagem, qualidade da água, níveis de proteína bruta na ração para as diferentes fases. Há também a questão do estabelecimento da frequência alimentar diária do peixe em relação ao seu ganho de peso — revela Marcos Eliseu Losekann, zootecnista e pesquisador da unidade Meio Ambiente da Embrapa.
Ele ressalta que o foco é tornar a atividade o mais sustentável possível, de modo que ao longo do tempo seja possível determinar os limites de produção de forma duradoura.
— Os benefícios econômicos se somam aos ganhos ambientais ao diminuir os dejetos. Em vez de usar alimentos de origem animal, podemos tentar ingredientes nativos que mantenham o desempenho dos peixes — diz o pesquisador.
O subprojeto prima pelas boas práticas implementando testes para obter rações que tenham baixo impacto ambiental e alto desempenho, bem como, pesquisas acerca de mecanismos que consigam minimizar os possíveis efeitos dos efluentes nos corpos hídricos adjacentes. O viés é evitar ou mitigar a poluição a um nível tolerante para a natureza. Avaliações sobre a capacidade de filtração, em pequena escala, testam o potencial contaminante de substâncias.
— Alguns ensaios experimentais em andamento visam estudar a ação de hormônios que estão presentes em alguns sistemas de produção mais específicos, como a utilização consorciada de dejetos suínos/peixes. Hormônios como o estradiol são excretados naturalmente pelas fêmeas suínas. Um dos nossos objetivos é entender, estudar os efeitos desteshormônios nos peixes e na água de cultivo, queremos desenvolver sistemas naturais para neutralização destes hormônios como por exemplo: filtros biológicos. Ou seja desenvolver métodos para tratar os efluentes oriundos da aquicultura — explica.