Por possuírem compostos fenólicos, além de cores atrativas, os tipos de arroz preto e vermelho representam uma grande oportunidade para pequenos produtores, que podem acrescentar um diferencial em sua produção habitual e aproveitar a demanda do mercado da alta gastronomia. Essas variedades são vendidas a preço bem mais elevados no mercado, o que pode ser uma excelente opção para esses pequenos agricultores que já contam com produções em pequena escala habitualmente.
Segundo a Dra. Úrsula Marquez, professora associada do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), o grão de arroz desprovido tanto da casca, como das camadas que o envolvem é chamado grão polido.
— O grão polido contém praticamente amido e uma pequena quantidade de proteínas, sendo desprovido de micronutrientes e outras substâncias que poderiam ser benéficas para a saúde — afirma a professora.
De acordo com ela, tanto o arroz branco, como o colorido possui várias substâncias benéficas nessas camadas externas, como vitamina E e minerais, por exemplo. Portanto, o arroz integral por si só é muito bom para a saúde. No entanto, o arroz preto e o arroz vermelho possuem além de todos esses nutrientes, compostos fenólicos, substâncias de alta capacidade antioxidante.
— Já a produtividade do arroz preto e do vermelho não é tão alta quanto à do arroz branco. Certamente, existe ainda a possibilidade de melhorias genéticas para conseguir um arroz resistente a doenças, infestações e acamamento — diz Úrsula.
Por outro lado, ela conta que o preço de mercado desses tipos de arroz é muito mais caro que o preço do arroz convencional. Hoje, por exemplo, eles representam uma especialidade na alta gastronomia.
— Esses arrozes atendem a duas propostas, tanto em termos de sabor, como em termos de valor nutricional. Já para a saúde humana, o arroz preto é o mais rico, tanto em nutrientes, como em micronutrientes — explica.
A professora ressalta ainda que as substâncias benéficas se situam nas camadas mais externas do grão, normalmente chamadas de farelo do arroz. Portanto, um subproduto interessante do arroz, segundo ela, seria o farelo.
— No entanto, há uma dificuldade em introduzir o farelo na dieta. Portanto, o momento é de consumir o grão integral com toda a sua composição complexa — conclui.
Para mais informações, basta entrar em contato com Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP através do número (11) 3091-3656 ou (11) 3091-3657.
