Os conceitos mudam. Antes, uma carne de qualidade era uma carne apenas gostosa. O mercado evoluiu e passou a exigir uma abrangência maior para o termo qualidade. Critérios sanitários mais rigorosos, carnes mais “magras” etc. Hoje, produzir com qualidade rima com sustentabilidade, com responsabilidade. A garantia de que a carne que você produz é resultado de um sistema que respeita o bem-estar animal, o meio ambiente e aspectos sociais é a chave para um mercado sempre mais exigente.
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Não é à toa que o tema Sustentabilidade como diferencial para acesso a novos mercados ocupa lugar de destaque no rol das palestras do PecForum que acontece nas cidades de Uberlândia, MG, nos dias 17 e 18 de novembro. Durante a oportunidade, o pesquisador Ezequiel Rodrigues do Valle, da Embrapa Gado de Corte, trará aos participantes os conceitos elementares dessa sustentabilidade intimamente relacionada ao programa de boas práticas agropecuárias.
— A meta é passar informações ou preparar o produtor com vistas a essa sustentabilidade com desenvolvimento e retorno econômico. Desenvolvimento sustentável na pecuária de corte significa estar em equilíbrio com o meio ambiente, com a parte social (trabalhista) e com as tecnologias que garantam uma melhor rentabilidade do sistema de produção a fim de torná-lo sempre mais competitivo. Constitui-se, portanto, num tripé — destaca o pesquisador.
Gestão financeira da propriedade, função social do imóvel rural, responsabilidade social e trabalhista, gestão ambiental, reserva legal, reserva permanente, instalações rurais, manejo pré-abate, formação e manejo de pastagem, suplementação alimentar, identificação animal e outros itens referentes a controle sanitário. Somados, esses itens constituem aspectos decisivos à sustentabilidade do sistema e que, portanto, precisam ser observados pelos produtores rurais com mais critério.
Esse é o grande objetivo do programa, que atualmente funciona mediante contrato de cooperação com associações de produtores, sindicatos rurais ou outras entidades e organizações. A própria Embrapa ainda ajuda na capacitação desses técnicos a fim de que possam acabar atuando como multiplicadores dessa informação. Mais para frente, quando estiverem atingindo todos os requisitos, a Embrapa, junto com as entidades parceiras, emite um laudo de adequação a essas normas, atestanto que aquele criatório segue o conceito das boas práticas.
— Trabalhamos com a identificação de gargalos para que possamos ajudar a resolver os problemas. Daí a importância dessas parcerias: somar esforços para resolver esses obstáculos que hoje são evidentes na agropecuária brasileira — ressalta.
Dependendo do estágio da propriedade, o produtor pode ter alguns custos para adequação, mas trata-se de custos que podem ser diluídos ao longo do tempo. Há uma relação muito próxima entre as adequações do sistema produtivo e os ganhos. Valle explica que ao optar pelas tecnologias e condições mais adequadas, o pecuarista diminui perdas de insumos e matérias primas, evita ações trabalhistas e ambientais, melhora a produtividade e se torna mais competitivo. Feito o dever de casa, abre-se as porteiras para os ganhos que vêm de fora.
