As consequências das escolhas da safra 2012/13

É oportuno trazer à tona como as escolhas feitas pelos produtores em meados de 2012 podem vir a impactar nosso bom e velho Sistema Plantio Direto. Não aquele SPD marqueteiro, mas sim ao SPD real, adotado pelos excelentes agricultores

Gustavo Spadotti Amaral Castro
Plantio Direto

A chamada supersafra brasileira de grãos tomou destaque nos principais veículos de comunicação, sejam eles especializados ou de massa. Os números realmente impressionam: 82 milhões de toneladas de soja e 76 milhões de toneladas de milho, conforme 6º Levantamento da Conab. Porém, faz-se necessária a reflexão sobre o resultado final de uma safra que inicialmente se desenhou especial, mas que pode levar a cenários não tão favoráveis.

Não gostaria debater o anunciado caos logístico que o país poderia passar. Hoje não mais se discute o possível caos, mas sim o tamanho do prejuízo que a falta de planejamento governamental perante os interesses agropecuários causará na balança comercial brasileira, esta que é extremamente dependente dos produtos oriundos do campo.

Acho oportuno trazer à tona como as escolhas feitas pelos produtores em meados de 2012 podem vir a impactar nosso bom e velho Sistema Plantio Direto. Não aquele SPD marqueteiro, estimado em mais de 30 milhões de hectares, mas que na verdade não cumprem seus antigos fundamentos. Mas sim ao SPD real, adotado pelos excelentes agricultores que balizam suas ações nas premissas de rotação de cultura, produção de palha, e uso racional de fertilizantes e defensivos agrícolas. Este sim pode vir a ser o grande prejudicado quando as escolhas de safra se baseiam, exclusivamente, no preço das commodities agrícolas, como foi observado nesta última safra.

A redução das áreas cultivadas com trigo, algodão, cerca de 25% cada, escancaram o problema da rotação de culturas. Isso se agrava ainda mais quando pensamos em culturas exclusivas para a adubação verde ou produção de palha, como crotalárias, mucunas, milheto, entre outras,  quando o produtor não enxerga claramente o retorno a curto prazo, visto que seus benefícios são evidenciados em todo o sistema produtivo, não só no balanço financeiro de uma única safra agrícola.

Neste sentido, ambos os cenários previstos serão nebulosos, podendo migrar para catastróficos. Se os preços de milho e soja se mantiverem altos, causando o sucesso financeiro da safra 2012/13, os produtores tenderão a tomar esta como padrão de escolha, culminando nos já mencionados problemas de rotação de culturas, fazendo-nos voltar 10 anos no tempo, caindo na eterna sucessão soja-milho. Por outro lado, se os preços destas duas culturas despencarem, em decorrência da elevação das ofertas interna e externa, o derrotado não será o SPD, mas sim o produtor rural, que por suas escolhas poderá se enterrar em dívidas.