Localizado a 160km de Aracaju, o Assentamento Edmilson Oliveira recebeu o Prêmio de Boas Práticas de Transferência de Tecnologia, concedido pelo Governo de Sergipe, em função da produção de milho, feijão, abóbora e algodão. Servindo de modelo a outros produtores, o assentamento receberá da Embrapa informações e variedades de feijão que favoreçam o desenvolvimento da região como pólo de alimentos biofortificados.
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De acordo com a líder do projeto BioFORT e pesquisadora Marília Regine Nutti, da Embrapa Agroindústria e Alimentos, a alimentação de cerca de 50% das crianças e adolescentes brasileiros é carente de ferro. Por isso, novas cultivares de feijão serão apresentadas e distribuídas em pequenas porções aos pequenos produtores, no intuito de enriquecer a alimentação e, ainda, de fazer com que os agricultores conquistem mais uma fonte de renda.
— Para os produtores do assentamento é muito importante a produtividade dos grãos. Existe uma restrição de água e solo na região. Por isso, serão realizados testes para avaliar o comportamento das variedades oferecidas diante desses fatores. Os produtos que iremos oferecer a eles possuem um diferencial nos potenciais de ferro e zinco. O nosso feijão tem 50% a mais de ferro que os tradicionais. Se ele for bem aceito, já é um indicador para nós — destaca Marília.
As cultivares apresentadas já foram definidas. O pesquisador Hélio Wílson Lemos de Carvalho, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, conta que, visando a biofortificação, as modalidades que apresentam níveis nutricionais mais elevados são BRS Pontal e BRS Pérola do grupo carioca e BRS Agreste do grupo mulatinho. Além delas, a feijão de corda (ou caupi) BRS Xique-Xique também está sendo divulgada.
Essas cultivares de feijoeiro, testadas em regiões sob regime de sequeiro, têm demonstrado bons resultados devido ao seu ciclo de produção mais curto. O BRS Agreste se destaca pelas características agronômicas como porte ereto de planta, elevado potencial produtivo e tolerância às principais doenças que atacam esta cultura, como antracnose e mancha-angular.
Já a BRS Pontal garante alta produtividade e teores diferenciados de ferro e zinco, o que possibilita a extensão do seu cultivo por todo o Agreste nordestino por se tratar de material bioforticado e de grande aceitação no mercado. O feijão-de-corda Xiquexique é indicado para todo o Nordeste, sendo voltado tanto para a agricultura empresarial (colheita mecânica) quanto para agricultura familiar por causa do ciclo precoce e a vagem no mesmo nível da folhagem. Ele tem grãos brancos e bem formados, seguindo o padrão de preferência de uma grande faixa de consumidores regionais.
— A produtividade média de feijão em Sergipe hoje está em torno de 700kg por hectare, bem abaixo da crítica. Ela deveria estar em torno de 2000 a 2400kg pelo menos. Deveria existir uma grande política pública para distribuir grande quantidade de sementes, pois a nossa oferta é apenas para demonstrar as características das sementes — alerta o pesquisador.
Marília Nutti ressalta que os assentados também terão cultivares de mandioca, abóbora e batata-doce com elevados teores de vitamina A, o que ela destaca ser fundamentalpara a dieta nutricional de crianças, gestantes e lactantes. Os cultivos estão previstos para serem instalados em 2011 com relação ao manejo, produtividade e potencial de mercado. Com os dados, é possível transferir as tecnologias para as 100 famílias que residem os assentamos próximos.
— De uma maneira geral, os cuidados com a lavoura dependem do nível de produtividade ou do tamanho da propriedade. O pequeno agricultor, que não dispõe de maiores recursos, deve obedecer a um sistema de produção mínimo que permita obter uma boa safra. Nesse caso, recomendamos um preparo de solo adequado que passa por uma aração e duas gradagens sentido cruzado. O uso de uma adubação correta, deixar a cultura no limpo por até uns 45 dias permite ao agricultor alcançar resultados satisfatórios — reforça o pesquisador,
Para mais informações, entrar em contato com a pesquisadora Marília Nutti pelo telefone (21) 3622-9600.
