Assistência técnica orienta alternativa de produção em solo contaminado

Sistema hidropônico não utiliza o solo para a produção das mudas e sim adubos solúveis em água sob canos de polietileno, furados no espaçamento ideal para a cultura de alface

Emater/RO
Agricultura Familiar

A solução veio através da utilização do sistema hidropônico. O solo foi contaminado por esterco bovino com resíduos de agrotóxicos e a atividade que dava sustento à família de Lorival Gonçalves teve de ser paralisada. Assim, estava criado um grande desafio para a assistência técnica.

Lorival, agricultor e morador do Projeto de Assentamento Sagrada Família, no setor Porto Murtinho, em São Francisco do Guaporé, apresentou sua estufa com solo contaminado ao extensionista do programa de assistência técnica Emater/Incra, Emerson Elias Silva dos Santos Antônio. Para voltar a produzir ele teria de paralisar a atividade por, no mínimo, cinco anos, tempo necessário para que a terra pudesse voltar a ter as suas propriedades naturais.

O desafio da extensão rural estava em criar alternativa para que o agricultor pudesse continuar produzindo e, assim, garantir o sustento de sua família através de uma atividade que ele já estava acostumado a trabalhar: a produção de alface. A solução veio através da utilização do sistema hidropônico.

Segundo Emerson, o sistema hidropônico não utiliza o solo para a produção das mudas e sim “adubos solúveis em água sob canos de polietileno, furados no espaçamento ideal para a cultura de alface”. A nova tecnologia foi implantada na propriedade e hoje, mesmo em fase inicial e ainda em adaptação, a família tem se mostrado satisfeita com o trabalho.

O extensionista diz ainda que a técnica tem oferecido vantagens no controle de produção, da sanidade e da qualidade das plantas de alface, e facilidade no trabalho, adequando-se a conceitos agronômicos de nutrição vegetal na formulação das soluções, controle de PH da água e condutividade elétrica que representa a saturação de nutrientes. “Estima-se que com isso a produção será de aproximadamente 3.700 maços de alface por mês, em uma área de 175 metros quadrados, onde o ciclo completo das plantas será em torno de quarenta dias com o preço médio de dois reais o maço”, diz.

A fim de obter consolidação no mercado consumidor, a família já planeja, sob orientação do extensionista, através do programa de assistência, para confecção de embalagem com nome e local da horta, além da divulgação da estrutura produtiva, mostrando assim, a origem da qualidade do produto.