Aumentar a produtividade da cana-de-açúcar sem que haja a necessidade de expandir a área plantada. Esse é objetivo da pesquisa "Preliminary assessment of the incidence of brown rust in bi-parental progeny sugarcane through EST-SSR markers", que está sendo desenvolvida no Laboratório de Genética Molecular e na área agrícola experimental do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O estudo é realizado pelo biotecnólogo Thiago Balsalobre, com a orientação de Anete Pereira de Souza, do Instituto de Bilogia da Unicamp, e co-orientação de Monalisa Sampaio Carneiro, do Departamento de Biotecnologia e Produção Vegetal e Animal (DBV) do CCA.
O trabalho visa o estudo da localização de genes da cana-de-açucar resistentes à doença ferrugem marrom e que tenham alta produtividade. Com isso, a intenção final da pesquisa é projetar resultados favoráveis ao desenvolvimento sustentável, já que com o plantio de cana-de-açúcar, ao mesmo tempo resistente e de alta produtividade, o espaço de produção será bem menor devido a sua eficácia. "No Brasil, em 1992, por conta da doença do fungo estima–se que o prejuízo na produção tenha chegado a 8,74% e as perdas a 107 milhões de dólares" justifica Balsalobre.
Segundo o biotecnólogo, os programas de melhoramento genético convencionais da cana-de-açúcar levam de 12 a 15 anos para alcançar uma nova variedade de cana. "Com a seleção de novas variedades esse tempo possivelmente será diminuído" afirma Balsalobre. O processo pelo qual é desenvolvido este trabalho é a "Seleção Assistida por marcadores", que escolhe, por meio de técnicas específicas, os melhores clones de cana ainda na fase jovem da planta. A partir dessa seleção reduz-se o tempo de trabalho no campo para o lançamento de variedades mais produtivas. Balsalobre afirma que o Brasil é uma referência quando se trata do campo da bioenergia oriunda da cana-de-açúcar e essas pesquisas, além de ampliar a produtividade, diminuem a quantidade de insumos.