Avaliação da concentração de metais pesados em grãos de soja e feijão

A utilização do lodo de esgoto em solos agrícolas possui benefícios nas propriedades físicas e químicas do solo

Aline Jesus
Correção de solo

Com aumento da produção de lodo de esgoto, a busca de alternativas ambientalmente corretas para a sua destinação é cada vez mais necessária. Segundo a Embrapa Meio Ambiente, a aplicação do resíduo em propriedades agrícolas proporciona benefícios físicos e químicos ao solo, o que a torna uma técnica promissora. Por outro lado, este composto pode conter uma variedade de substâncias que podem ser tóxicas aos microrganismos do solo e às próprias plantas.

Entende-se como biossólido o lodo originado em estação de tratamento de esgoto sanitário que passou por tratamento biológico para ser utilizado em solos agrícolas. Para os pesquisadores,uma das maiores preocupações com sua utilização, na agricultura se deve ao fato de que elementos como os metais pesados possam passar a fazer parte da cadeia alimentar.

Diversas pesquisas no Brasil já demostraram os benefícios da aplicação do lodo em diferentes culturas, mas pouco tem sido feito com leguminosas de grãos e, principalmente com os possíveis aumentos de metais nas partes comestíveis da planta.

Como resultado, percebeu-se que os grãos de soja colhidos de plantas cultivadas em solo onde o lodo foi aplicado como fonte de fósforo, pela primeira vez, não mostraram diferenças nos teores de metais pesados em relação aos tratamentos onde o lodo não foi aplicado. Tais resultados foram verificados para os elementos manganês, ferro, zinco e cobre. Cádmio, chumbo e níquel não foram detectados em nenhum dos tratamentos, uma vez que estavam, possivelmente, abaixo do limite de detecção desta técnica.

No feijão, também não foi notada nenhuma diferença, os grãos também colhidos de plantas cultivadas em área onde o lodo foi aplicado pela primeira vez, como fonte de nitrogênio e, em maiores quantidades, os teores de manganês, ferro, zinco e cobre não diferiram entre os tratamentos. Os teores de cádmio, chumbo, cobalto e cromo ficaram abaixo do limite de detecção da técnica.

No tratamento com nióbio, os valores do elemento estavam abaixo do limite de detecção da técnica. Nos locais em que o lodo foi aplicado em dose duas vezes maior do que a calculada em função das
necessidades da cultura em nitrogênio, o teor de níquel nos grãos também dobrou. Os dados obtidos com os grãos de feijão revelam que o cultivo desta leguminosa, em áreas onde o lodo é
aplicado com freqüência, deveria ter o valor nutricional dos seus grãos sempre monitorados, uma vez que a ingestão oral tolerável deste elemento não tem sido estabelecida.