A pecuária de corte é a mais relevante atividade econômica na região pantaneira. Sendo assim, a carência de um instrumento que avaliasse a sustentabilidade desses sistemas de criação despertou o interesse de pesquisadores da Embrapa Pantanal. A experiência, iniciada em 2005, compreende as dimensões econômica, social e ambiental do conceito sustentável.
De acordo com a pesquisadora, Sandra Aparecida Santos, a multidisciplinaridade da equipe, composta também por profissionais de outras unidades da Embrapa e universidades, foi fundamental no processo de caracterização dos diferentes sistemas de manejo de gado.
A especificidade da metodologia relativa às características de clima e vegetação garantiu princípios indicativos que refletem a realidade local.
— A diversidade ambiental pantaneira é tão grande que, mesmo de uma fazenda para outra, encontramos muitas diferenças. Não existem duas propriedades iguais, por isso o estudo prescindiu de ampla abrangência regional. Parâmetros mais complexos acerca de água, solo, pastagens nativas e outros protocolos, precisaram de análises laboratoriais até definirmos indicadores mais práticos e de baixo custo — explica Sandra.
Atualmente, a tecnologia está em fase final de integração dos índices apurados em campo, visando o desenvolvimento de uma ferramenta de avaliação sistêmica das propriedades pantaneiras. A identificação de pontos frágeis nos aspectos importantes da rotina produtiva desses rebanhos possibilitará a simulação e sugestão de boas práticas de manejo.
— A ferramenta será importante também para as certificadoras. Pretendemos desenvolver uma marca coletiva junto com os fazendeiros, que vêm conservando a região ao longo dos anos. A preservação do Pantanal deve estar aliada à manutenção das criações tradicionais — afirma a pesquisadora.