Rochas com ampla incidência no Brasil podem ser utilizadas como fonte de nutrientes para a agricultura, num processo chamado de rochagem. É o que afirma Eder Martins, da Embrapa Cerrados, um dos pesquisadores responsáveis pelos estudos. Essa é uma alternativa viável aos fertilizantes convencionais que têm alto custo, são importados e derivam de fontes escassas e não-renováveis.
— A pesquisa baseia-se no conceito de que existem alguns tipos de rocha que, moídas (numa granulação bastante fina), podem ser usadas diretamente como fontes de nutrientes para a agricultura. O principal objetivo do projeto é estudar rochas brasileiras que ainda não haviam sido usadas com essa finalidade e testá-las para diminuir a nossa dependência dos produtos importados — explica o pesquisador.
O primeiro passo é encontrar rochas que tenham potencial como fontes de nutrientes e, dentre as estudadas, algumas já são conhecidas no uso, como o calcário agrícola, cujo pó corrige a acidez. As rochas fosfáticas e silicáticas, muito abundantes no Brasil, e outras especialmente ricas em potássio, estão sendo analisadas. No País, 95% do potássio utilizado na agricultura é importado, portanto, as rochas estudadas têm o objetivo de diminuir a necessidade de importação, sobretudo do potássio.
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"O principal objetivo |
— A seleção das rochas foi feita por equipe multidisciplinar, incluindo geólogos, agrônomos, químicos e biólogos. As análises químicas e mineralógicas, assim como a capacidade das rochas em disponibilizar nutrientes, foram verificadas em laboratório e em casa de vegetação. Mais tarde, foram desenvolvidos experimentos a campo, com a intenção de demonstrar o potencial das rochas em substituir parcialmente ou totalmente o potássio — destaca Martins.
A fonte convencional usada na agricultura, o cloreto de potássio, é bastante solúvel em água, diferentemente da rocha. Os resultados obtidos mostram que quando aplicado no solo (em culturas anuais), pelas quantidades adicionadas, metade do potássio é aproveitado no primeiro ano e a outra metade fica no solo como uma reserva, que pode durar até cinco anos. Ou seja, a rocha tem uma solubilidade bem mais lenta que a fonte convencional e permite reserva de longo prazo, diminuindo a necessidade de aplicação de adubos.
