Avaliação do feijoeiro para tolerância à seca

Embora ainda polêmico, o assunto acerca das mudanças climáticas no mundo já suscita a mobilização de frentes de pesquisa para tratar do aumento da tolerância das culturas às deficiências hídricas, dentre elas, o feijoeiro comum.

Redação
Melhoramento genético

Embora ainda polêmico, o assunto acerca das mudanças climáticas no mundo já suscita a mobilização de frentes de pesquisa para tratar do aumento da tolerância das culturas às deficiências hídricas, dentre elas, o feijoeiro comum. Sabe-se que a deficiência hídrica, entre os vários estresses abióticos, destaca-se pela amplitude de ocorrência e pela redução na produtividade. E, no Brasil, o feijoeiro comum é cultivado em praticamente todo o território nacional, em várias épocas de plantio, o que lhe expõe a uma grande diversidade climática.

Face esses problemas, a Embrapa Arroz e Feijão, a Secretaria Estadual de Agricultura de Goiás, a Universidade Estadual de Goiás e a Uni-Anhanguera realizam estudos no município de Porangatu, região noroeste de Goiás, conhecida pelo clima seco e quente no período da entressafra, de abril a setembro.

Em um desses trabalhos, a rede de pesquisa buscou avaliar a adaptação ao estresse hídrico de 25 famílias de gerações F3:6, com tipo de grão carioca, oriundas de uma população segregante de cruzamentos múltiplos, envolvendo genitores tolerantes à deficiência hídrica. O estudo contou ainda com 3 cultivares testemunhas e foi implantado em blocos casualizados, com dois tratamentos (com e sem deficiência hídrica) e três repetições.

Como resultados, os tratamentos hídricos influenciaram significativamente apenas na produtividade. Os genótipos produziram diferentemente entre si e responderam também diversamente aos efeitos dos tratamentos hídricos.

O teste de Scott-Knott, conforme a metodologia empregada, agrupou as famílias em um único grupo, baseando-se na produtividade sob deficiência hídrica e em três grupos sob irrigação adequada. As famílias 148, 13, 150 e 191, do grupo mais produtivo, sob irrigação adequada, produziram 2.954, 2.908, 2.817 e 2.772 quilos por hectare. Já sob deficiência hídrica produziram 888, 499, 1.052 e 745 quilos por hectare, respectivamente.

Concluiu-se que as famílias F3:6 comportaram-se diferentemente nos dois tratamentos hídricos e que as famílias 150, 148, 191 e 13 foram as mais produtivas, significativamente, sob irrigação adequada e foram produtivas sob deficiência hídrica, exceto a família 13.

O intuito agora da pesquisa é avançar mais gerações das famílias que demonstraram bom desempenho para possível lançamento de novas cultivares a partir delas,voltadas ao aumento da tolerância do feijoeiro comum à deficiência hídrica.