O projeto para avaliação do uso do glicerol na alimentação de bovinos em confinamento, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), está sendo conduzido pelo pesquisador José Luis Moletta, na estação experimental Fazenda Modelo, em Ponta Grossa. Subproduto da extração de biodiesel, a quantidade da substância, derivada da glicerina, disponível atualmente é muito superior à capacidade de absorção dos setores industriais que a utilizam.
A necessidade de destinar esse excedente nacional aliada a interesses econômicos e ecológicos motivaram a pesquisa, na qual o principal objetivo é utilizar o glicerol como fonte de energia, em substituição ao grão de milho na dieta de bovinos. Mantidos em baias individuais, os novilhos, na faixa dos 12 meses, são pesados a cada 28 dias e, ao final do experimento, serão submetidos a avaliações qualitativas de carcaça e carne.
— Os animais recebem silagem de milho, mais um concentrado à base de milho e farelo de soja, de 1,2% do seu peso vivo por dia. O glicerol está entrando com 15% de substituição da matéria seca consumida, ou seja, isso representa uma substituição de 80% do milho consumido diariamente — explica Moletta.
Em razão do pioneirismo, o programa iniciado em maio de 2009, tomou como base poucas fontes de informação sobre os níveis de substituição permitidos. Até o momento, a observação das características de desempenho é muito positiva. De acordo com os dados apurados, a inclusão de glicerol na dieta de ruminantes não interfere no ganho de peso ou mesmo na eficiência alimentar.