Encontrado desde a faixa territorial úmida da Amazônia até as áreas mais secas do Piauí, o bacurizeiro apresenta ampla plasticidade genética. A espécie tem aplicabilidade múltipla. Fornece frutos comestíveis de alto valor agregado e madeira de boa qualidade. Atualmente raro, devido à exploração predatória do tronco, o bacuri, saboroso e aromático, atinge os mais altos preços no mercado local. O sucesso das pesquisas de manejo de plantas nativas, conduzidos pela Embrapa Amazônia Oriental, se soma aos avanços do cultivo e seleção genética da espécie. O pesquisador José Edmar Urano de Carvalho revela a obtenção de materiais com maior percentual de polpa e explica que a reprodução da árvore é extremamente fácil na natureza.
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Ele diz que a estimativa inicial de aproveitamento desse potencial regenerativo pode se estender por uma área de 30 mil hectares, situados na mesoregião do nordeste Paraense. Capaz de se reproduzir tanto por sementes quanto por brotações oriundas das raízes, alguns levantamentos constataram 40 mil brotações de bacurizeiro a cada dez mil metros quadrados do terreno. Outra conquista é o aumento do volume de extração de polpa, de 10 para até 27 quilos, a cada 100 quilos do fruto melhorado.
— A exemplo do açaí e do cupuaçú, não há dúvida de que o bacuri será a próxima fruta amazônica a conquistar novos consumidores aqui e no exterior. Os primeiros plantios começam a ser implantados aqui no Pará. Somente no município de Tomeaçu, cerca de 10 mil bacurizeiros propagados por enxertia já foram plantados. A cultura começa a despertar o interesse em vários lugares. Para se ter uma ideia, um quilo de polpa de bacuri custa entre R$ 20 e R$ 27 nos supermercados de Belém. Enquanto a polpa de cupuaçú fica entre R$ 7 e R$ 9 e o açaí chega a R$ 12 na entressafra, em plena safra, o bacuri é ainda mais caro do que a maçã, trazida da Argentina, Chile e Santa Catarina — compara.
Entre as vantagem de manejar as populações naturais, Carvalho cita o crescimento mais ereto e rápido. Ao passo que uma planta silvestre começar a produzir os primeiros frutos aos quatro anos de idade, os bacurizeiros semeados têm a primeira colheita entre 10 e 15 anos. A enxertia também antecipa essa produção para os quatro anos. Outro ponto positivo é que os sistemas preconizados pela Embrapa demandam um desbaste periódico das populações muito adensadas da fruteira, proporcionando o aproveitamento da madeira restante para outros fins, como a produção de carvão. Tradicionalmente dedicadas à cultura da mandioca, essas áreas também necessitam de estoques de lenha para fabricação de farinha.
— Essa é uma alternativa apropriada para localidades com longos períodos de estiagem e solos muito arenosos, onde a finalidade econômica não é viável. O bacurizeiro se comporta muito bem nesses climas. Então, além de transformar capoeiras com poucas espécies de valor econômico em monocultivo de bacuri, há ainda a possibilidade de implantá-lo como componente arbóreo principal em sistemas agroflorestais — explica.